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sexta-feira, 26 de junho de 2026

O poder da identidade visual no terceiro setor

O designer e ilustrador Reinaldo Lee desenvolve trabalhos de identidade visual para o terceiro setor e empresas com profissionalismo, criatividade e qualidade. / Crédito: Daniel Teixeira


Símbolos, cores e tipografia são alguns dos elementos que formam a identidade visual de uma marca. No terceiro setor, onde diversas ONGs buscam visibilidade, ter uma identidade forte e memorável é fundamental. Ela profissionaliza a instituição, transmite confiança e atrai pessoas que se identificam com a causa defendida.

Uma comunicação visual bem definida, quando aplicada em diferentes plataformas — site, blog ou redes sociais —, evita o uso incorreto das cores, facilita a criação de mensagens e impacta diretamente na captação de recursos.

Para explicar na prática como todo esse processo se aplica ao terceiro setor, o designer e ilustrador Reinaldo Lee, formado em Desenho Industrial pela PUC-Rio, conta um pouco da sua experiência e dá dicas essenciais para o desenvolvimento de um trabalho de impacto. Confira!


Gecom: Qual a importância da identidade visual para ONGs, coletivos e projetos sociais?

Reinaldo Lee: Tem a mesma importância ou até maior do que para empresas e profissionais liberais: ser facilmente reconhecida visualmente por seu logo, símbolos, suas cores, sua tipografia representando suas características e reputação. Se a ONG ou projeto social tem uma identidade e missão fortes que possam ser traduzidas graficamente, isso facilita a identificação e o relacionamento com os diversos grupos de interesse: participantes, comunidade e parceiros. A lógica difere um pouco das empresas por não ter um apelo comercial forte, mas é importante para transmitir a mensagem de que a ONG é séria, organizada e oferece serviços de qualidade.


Gecom: Você desenvolveu um projeto recente com uma rede de artesãs em São João da Barra. Quais foram os principais desafios e aprendizados ao criar a identidade visual para este grupo?


Reinaldo Lee: Sim. Na verdade, esse projeto foi realizado por mim, em conjunto com um escritório de design de Niterói, a Oster Design. Foi em 2020, por meio de uma iniciativa da organização social Rede Asta, para fomentar a cultura criativa dessa rede de artesãs de diversas técnicas e ampliar o conhecimento e a mentalidade empreendedora da comunidade. Os principais desafios de um projeto desse tamanho eram representar essas diferentes técnicas — de mais de 50 artesãs — em uma única marca. Conseguimos fazer reuniões e entrevistas com algumas artesãs e representantes da Rede Asta, que nos deram alguns direcionamentos. O objetivo principal, porém, era traduzir o conceito de rede criativa para essa comunidade, e não apenas focar em uma técnica ou em outra. O resultado final foi uma mistura de tipografia manuscrita, com foco no trabalho manual e artístico do processo de criação, acompanhada de um grafismo que remete a uma rede de pesca, já que uma das principais atividades da região é a pesca, assim como os temas de muitas obras criadas pelas artistas da cidade, que utilizam conchas, pedras e outras matérias-primas como base de seus trabalhos.

Conviver, ouvir as diferentes visões e perspectivas das artesãs sobre o próprio trabalho e o que cada uma tinha a dizer sobre a região, a técnica ou as lutas de trabalhar com o que ama e para sustentar sua família foi bem gratificante. Poder retribuir de alguma forma com meu trabalho, valorizando o delas, foi uma recompensa maior do que qualquer pagamento.

Identidade visual criada por Reinaldo Lee para a Rede Asta, em parceria com a Oster Design.


Gecom: Na sua visão, como a inteligência artificial está mudando o trabalho dos designers?


Reinaldo Lee: Na verdade, assim como qualquer outra revolução tecnológica de outras épocas, a inteligência artificial não muda o trabalho dos designers. Desde a criação de programas digitais, da internet e agora da I.A. o mundo do design e da ilustração sempre parece ficar ameaçado, mas todas essas novidades não passam de ferramentas que serão melhor aproveitadas quanto melhor o designer conhecer o seu próprio processo de criação. A I.A. auxilia, assim como a internet auxiliava em busca de referências, em mostrar oportunidades ou em mesclar várias ideias e apresentar um resultado. Mas esse resultado nunca poderá ser considerado o projeto final do design. É preciso um olhar cuidadoso e criterioso sobre como essas referências podem ser trabalhadas pelo designer. No meu caso, utilizo a I.A. como ponto de partida (em algumas ocasiões) para projetos mais complexos ou que envolvem muitas variáveis. A inteligência artificial pode reduzir o tempo de alguns processos mais trabalhosos ou manuais, mas a criação vai ser sempre melhor quando originada da mente humana. Temos que nos ver como diretores de arte dessa “colaboradora” chamada I.A.


Gecom: Que dica prática você daria para uma ONG pequena que não tem verba, mas precisa melhorar sua identidade visual?


Reinaldo Lee: Uma dica é procurar junto ao grupo ou à comunidade que está envolvida, pessoas ou profissionais que tenham essa vontade de colaborar ativa e criativamente com a ONG. Profissionais que possam indicar ou conhecer algum estudante de Comunicação ou Design para desenvolver esse trabalho. Para um resultado mais profissional, a ONG pode tentar contatos com escritórios de pequeno ou médio porte que se interessem em fazer o projeto de Identidade visual e logo no formato pro bono, ou seja, sem custo, desde que se identifiquem com a causa e queiram genuinamente participar dessa criação.


Não sei se muitas ONGs precisam de um projeto de identidade visual para serem percebidas e respeitadas na sociedade. Mas existem alguns profissionais que se identificam e gostam de fazer projetos dessa natureza (eu me incluo entre eles) para desenvolver o trabalho criativo e ao mesmo tempo colaborar com um setor que faz um trabalho com muita dedicação, respeito e altruísmo sem perder o profissionalismo.


Para Reinaldo Lee, a inteligência artificial deve ser usada como auxiliar durante o processo criativo e nunca como o projeto final do design. / Crédito: Marcia Moreira




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terça-feira, 26 de maio de 2026

IA no Terceiro Setor: Como usar inteligência artificial na comunicação sem perder a humanidade

 

Iana Brando possui experiência em inteligência artificial com aplicação no audiovisual. / Divulgação

A inteligência artificial está revolucionando o nosso dia-a-dia em uma velocidade que jamais pudéssemos imaginar, principalmente em nosso ambiente de trabalho. Hoje utiliza-se uma ferramenta de IA, amanhã já nasce uma diferente ou até melhor. Se não existir uma para determinada tarefa, aguarde um instante que logo, logo se cria uma. A revolução está diante de nossos olhos e o Terceiro Setor não pode ficar para trás. Aprender a utilizar a inteligência artificial na comunicação para as instituições sociais está se tornando um diferencial entre elas. O ambiente do audiovisual tem sido a área mais impactada na área da comunicação, em se tratando de produção de conteúdo. No entanto, não podemos deixar de produzir conteúdos humanizados e nos tornarmos “comunicadores artificiais”.


A entrevista, a seguir, é justamente sobre esse cuidado com o uso da inteligência artificial no trabalho dos comunicadores para o Terceiro Setor.


Iana Brando é técnica em comunicação no projeto Cria RJ e responsável por planejar, produzir e executar estratégias de comunicação para divulgar ações, fortalecer a imagem institucional e garantir uma comunicação eficiente com o público. Em sua trajetória, atuou na ONG Capacitrans como filmmaker, produzindo conteúdo audiovisual para o documentário “Transformando na Moda 3” e foi produtora executiva da “Marcha Trans & Travesti RJ”. Confira o que Iana Brando compartilhou nesta entrevista.


Gecom: O que despertou o gosto pelo audiovisual e o que te mantém atuando e inovando como filmmaker e criadora de conteúdo nas redes sociais?


Iana Brando: O meu interesse no audiovisual começou quando eu entendi que para além de uma fotografia ou filmagem, o audiovisual capta memórias, sentimentos e a forma que cada profissional dessa área enxerga o mundo. O que me mantém nessa área é principalmente como eu me expresso para o mundo e a forma que eu me comunico com ele através da minha essência e olhar.


Gecom: Durante a atuação na ONG Capacitrans, quais foram os principais aprendizados e desafios de produzir conteúdo audiovisual em um contexto de impacto social?


Iana Brando: Eu aprendi dentro da comunidade trans que pra gente passar nossa dor e luta para o mundo temos que abordar isso de forma mais cômica, mas também de forma sensível para que a gente saia do lugar de vitimismo e passe a mostrar o lado feliz da vida e da luta também. Isso tudo conseguimos passar no trabalho de audiovisual visual que fiz para Capacitrans!


Na opinião de Iana, unir inteligência artificial e o audiovisual é o caminho para dar voz e visibilidade à luta trans. / Divulgação


Gecom: De que forma a inteligência artificial contribui para a produção audiovisual dentro das ONGs?


Iana Brando: Ajuda a mostrar de uma forma mais lúdica ou realista o que a ONG quer passar ou qual o objetivo dela em relação ao seu projeto. Também ajuda muito na questão administrativa se você precisar de um suporte ou algo do tipo. Hoje em dia, a inteligência artificial facilita muito os trâmites que antigamente levavam dias ou semanas para serem executados. Nos dias atuais, levam apenas algumas horas ou minutos!


Gecom: Para comunicadores do Terceiro Setor que utilizam ou pretendem incorporar inteligência artificial em suas produções, quais são as recomendações éticas, técnicas e criativas para garantir eficiência sem abrir mão do propósito da causa?


Iana Brando: A inteligência artificial deve ser encarada como uma ferramenta de apoio e não como substituta da sensibilidade humana que está no centro do trabalho do Terceiro Setor. Para comunicadores que já utilizam ou pretendem incorporar IA em suas produções, o primeiro cuidado precisa ser ético: ter transparência sobre esse uso, revisar com atenção os conteúdos gerados e evitar a reprodução de vieses ou informações fora de contexto que possam comprometer a credibilidade e a integridade da causa.


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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Comunicação estratégica no Terceiro Setor: preparando-se para 2026

Luiza Claro acredita que o investimento em Comunicação é o principal desafio das ONGs para superar o acúmulo de funções e se destacarem no ambiente digital. / Crédito: Sophia Vogel



A comunicação no Terceiro Setor passa por um momento de profundas transformações. Com a crescente demanda por transparência e responsabilidade, além das novas tecnologias e a pulverização de informações, as ONGs precisam se comunicar de forma eficaz para alcançar seus objetivos. Em entrevista exclusiva, a analista de comunicação Luiza Claro, compartilha suas perspectivas sobre as tendências e desafios da comunicação no Terceiro Setor em 2026. Descubra, na entrevista a seguir, como as organizações podem se preparar para o futuro e alcançar resultados incríveis.


Gecom: Como você vê a evolução da Comunicação no Terceiro Setor nos últimos anos e quais são as principais tendências para 2026?


Luiza Claro: A comunicação no Terceiro Setor amadureceu muito. Antes, a comunicação era vista mais como apoio: fazer post, divulgar ação, dar visibilidade à causa e à ONG, por exemplo.

O desafio em comum dos comunicadores era conseguir ter o reconhecimento que a comunicação precisa ser estratégica, parte do planejamento da organização.

Para 2026, vejo uma comunicação ainda mais integrada ao todo da ONG, muito conectada a dados, impacto e relacionamento.

Menos campanha solta e mais construção de comunidade, com formatos mais dinâmicos e foco em mostrar processos e resultados.


Gecom: Quais são os principais desafios que as ONGs enfrentam em termos de Comunicação em 2026 e como você acredita que eles podem ser superados?


Luiza Claro: O principal desafio continua sendo o investimento. É comum ainda ver equipes pequenas e acúmulo de funções. Entendo que isso se supera com priorização e estratégia.

Outro ponto forte é a dificuldade de se destacar num ambiente digital saturado.

Não é preciso publicarmos em todas as redes se não é estratégico para organização, mas é possível adaptar o mesmo conteúdo para diferentes formatos.

Também vejo um grande potencial no uso inteligente de ferramentas para otimizar processos e ganhar fôlego.


Para a analista de comunicação, a inteligência artificial é uma aliada, principalmente, para organizações que têm poucos recursos. / Crédito: Sophia Vogel


Gecom: Como a Inteligência Artificial está impactando a Comunicação no Terceiro Setor e quais são as oportunidades e desafios que elas apresentam?


Luiza Claro: Eu vejo a IA como uma aliada, principalmente, para organizações que têm poucos recursos.

Quando bem usada, pode ser um apoio para organizar ideias, estruturar conteúdos, analisar dados e ganhar tempo. Isso libera o profissional de comunicação para pensar de forma mais estratégica e humana.

Ao mesmo tempo, existe o desafio de não perder autenticidade. Comunicação no Terceiro Setor é sobre pessoas e histórias reais, então precisamos ter um olhar sensível.

Reforço que nem tudo o que a IA produz precisa e deve ser usado. Temos que refletir se está alinhado com os valores da ONG e se condiz com o objetivo da mensagem.

Para mim, o caminho é usar a IA como apoio, mas manter a atenção e o lado crítico nas respostas entregues por ela.


Gecom: Quais são as habilidades e competências que um profissional de Comunicação no Terceiro Setor precisa ter em 2026 para ser bem-sucedido?


Luiza Claro: Para mim, mais do que dominar ferramentas, esse profissional precisa conhecer bem a organização que trabalha. Entender a causa, o impacto, o público e como a comunicação se conecta com os beneficiários, a captação, os programas e o voluntariado.

Também vejo como essenciais: capacidade de análise de dados, adaptação a diferentes formatos por conta dos multicanais que trabalhamos hoje e, principalmente, aprender a transmitir transparência. No Terceiro Setor, para comunicar é preciso gerar confiança e credibilidade primeiro.

Em 2026, quem conseguir unir estratégia, tecnologia e humanidade vai se destacar.






 

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