terça-feira, 26 de maio de 2026

IA no Terceiro Setor: Como usar inteligência artificial na comunicação sem perder a humanidade

 

Iana Brando possui experiência em inteligência artificial com aplicação no audiovisual. / Divulgação

A inteligência artificial está revolucionando o nosso dia-a-dia em uma velocidade que jamais pudéssemos imaginar, principalmente em nosso ambiente de trabalho. Hoje utiliza-se uma ferramenta de IA, amanhã já nasce uma diferente ou até melhor. Se não existir uma para determinada tarefa, aguarde um instante que logo, logo se cria uma. A revolução está diante de nossos olhos e o Terceiro Setor não pode ficar para trás. Aprender a utilizar a inteligência artificial na comunicação para as instituições sociais está se tornando um diferencial entre elas. O ambiente do audiovisual tem sido a área mais impactada na área da comunicação, em se tratando de produção de conteúdo. No entanto, não podemos deixar de produzir conteúdos humanizados e nos tornarmos “comunicadores artificiais”.


A entrevista, a seguir, é justamente sobre esse cuidado com o uso da inteligência artificial no trabalho dos comunicadores para o Terceiro Setor.


Iana Brando é técnica em comunicação no projeto Cria RJ e responsável por planejar, produzir e executar estratégias de comunicação para divulgar ações, fortalecer a imagem institucional e garantir uma comunicação eficiente com o público. Em sua trajetória, atuou na ONG Capacitrans como filmmaker, produzindo conteúdo audiovisual para o documentário “Transformando na Moda 3” e foi produtora executiva da “Marcha Trans & Travesti RJ”. Confira o que Iana Brando compartilhou nesta entrevista.


Gecom: O que despertou o gosto pelo audiovisual e o que te mantém atuando e inovando como filmmaker e criadora de conteúdo nas redes sociais?


Iana Brando: O meu interesse no audiovisual começou quando eu entendi que para além de uma fotografia ou filmagem, o audiovisual capta memórias, sentimentos e a forma que cada profissional dessa área enxerga o mundo. O que me mantém nessa área é principalmente como eu me expresso para o mundo e a forma que eu me comunico com ele através da minha essência e olhar.


Gecom: Durante a atuação na ONG Capacitrans, quais foram os principais aprendizados e desafios de produzir conteúdo audiovisual em um contexto de impacto social?


Iana Brando: Eu aprendi dentro da comunidade trans que pra gente passar nossa dor e luta para o mundo temos que abordar isso de forma mais cômica, mas também de forma sensível para que a gente saia do lugar de vitimismo e passe a mostrar o lado feliz da vida e da luta também. Isso tudo conseguimos passar no trabalho de audiovisual visual que fiz para Capacitrans!


Na opinião de Iana, unir inteligência artificial e o audiovisual é o caminho para dar voz e visibilidade à luta trans. / Divulgação


Gecom: De que forma a inteligência artificial contribui para a produção audiovisual dentro das ONGs?


Iana Brando: Ajuda a mostrar de uma forma mais lúdica ou realista o que a ONG quer passar ou qual o objetivo dela em relação ao seu projeto. Também ajuda muito na questão administrativa se você precisar de um suporte ou algo do tipo. Hoje em dia, a inteligência artificial facilita muito os trâmites que antigamente levavam dias ou semanas para serem executados. Nos dias atuais, levam apenas algumas horas ou minutos!


Gecom: Para comunicadores do Terceiro Setor que utilizam ou pretendem incorporar inteligência artificial em suas produções, quais são as recomendações éticas, técnicas e criativas para garantir eficiência sem abrir mão do propósito da causa?


Iana Brando: A inteligência artificial deve ser encarada como uma ferramenta de apoio e não como substituta da sensibilidade humana que está no centro do trabalho do Terceiro Setor. Para comunicadores que já utilizam ou pretendem incorporar IA em suas produções, o primeiro cuidado precisa ser ético: ter transparência sobre esse uso, revisar com atenção os conteúdos gerados e evitar a reprodução de vieses ou informações fora de contexto que possam comprometer a credibilidade e a integridade da causa.


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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Comunicação estratégica no Terceiro Setor: preparando-se para 2026

Luiza Claro acredita que o investimento em Comunicação é o principal desafio das ONGs para superar o acúmulo de funções e se destacarem no ambiente digital. / Crédito: Sophia Vogel



A comunicação no Terceiro Setor passa por um momento de profundas transformações. Com a crescente demanda por transparência e responsabilidade, além das novas tecnologias e a pulverização de informações, as ONGs precisam se comunicar de forma eficaz para alcançar seus objetivos. Em entrevista exclusiva, a analista de comunicação Luiza Claro, compartilha suas perspectivas sobre as tendências e desafios da comunicação no Terceiro Setor em 2026. Descubra, na entrevista a seguir, como as organizações podem se preparar para o futuro e alcançar resultados incríveis.


Gecom: Como você vê a evolução da Comunicação no Terceiro Setor nos últimos anos e quais são as principais tendências para 2026?


Luiza Claro: A comunicação no Terceiro Setor amadureceu muito. Antes, a comunicação era vista mais como apoio: fazer post, divulgar ação, dar visibilidade à causa e à ONG, por exemplo.

O desafio em comum dos comunicadores era conseguir ter o reconhecimento que a comunicação precisa ser estratégica, parte do planejamento da organização.

Para 2026, vejo uma comunicação ainda mais integrada ao todo da ONG, muito conectada a dados, impacto e relacionamento.

Menos campanha solta e mais construção de comunidade, com formatos mais dinâmicos e foco em mostrar processos e resultados.


Gecom: Quais são os principais desafios que as ONGs enfrentam em termos de Comunicação em 2026 e como você acredita que eles podem ser superados?


Luiza Claro: O principal desafio continua sendo o investimento. É comum ainda ver equipes pequenas e acúmulo de funções. Entendo que isso se supera com priorização e estratégia.

Outro ponto forte é a dificuldade de se destacar num ambiente digital saturado.

Não é preciso publicarmos em todas as redes se não é estratégico para organização, mas é possível adaptar o mesmo conteúdo para diferentes formatos.

Também vejo um grande potencial no uso inteligente de ferramentas para otimizar processos e ganhar fôlego.


Para a analista de comunicação, a inteligência artificial é uma aliada, principalmente, para organizações que têm poucos recursos. / Crédito: Sophia Vogel


Gecom: Como a Inteligência Artificial está impactando a Comunicação no Terceiro Setor e quais são as oportunidades e desafios que elas apresentam?


Luiza Claro: Eu vejo a IA como uma aliada, principalmente, para organizações que têm poucos recursos.

Quando bem usada, pode ser um apoio para organizar ideias, estruturar conteúdos, analisar dados e ganhar tempo. Isso libera o profissional de comunicação para pensar de forma mais estratégica e humana.

Ao mesmo tempo, existe o desafio de não perder autenticidade. Comunicação no Terceiro Setor é sobre pessoas e histórias reais, então precisamos ter um olhar sensível.

Reforço que nem tudo o que a IA produz precisa e deve ser usado. Temos que refletir se está alinhado com os valores da ONG e se condiz com o objetivo da mensagem.

Para mim, o caminho é usar a IA como apoio, mas manter a atenção e o lado crítico nas respostas entregues por ela.


Gecom: Quais são as habilidades e competências que um profissional de Comunicação no Terceiro Setor precisa ter em 2026 para ser bem-sucedido?


Luiza Claro: Para mim, mais do que dominar ferramentas, esse profissional precisa conhecer bem a organização que trabalha. Entender a causa, o impacto, o público e como a comunicação se conecta com os beneficiários, a captação, os programas e o voluntariado.

Também vejo como essenciais: capacidade de análise de dados, adaptação a diferentes formatos por conta dos multicanais que trabalhamos hoje e, principalmente, aprender a transmitir transparência. No Terceiro Setor, para comunicar é preciso gerar confiança e credibilidade primeiro.

Em 2026, quem conseguir unir estratégia, tecnologia e humanidade vai se destacar.






 

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