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Luiza Claro acredita que o investimento em Comunicação é o principal desafio das ONGs para superar o acúmulo de funções e se destacarem no ambiente digital. / Crédito: Sophia Vogel
A comunicação no Terceiro Setor passa por um momento de profundas transformações. Com a crescente demanda por transparência e responsabilidade, além das novas tecnologias e a pulverização de informações, as ONGs precisam se comunicar de forma eficaz para alcançar seus objetivos. Em entrevista exclusiva, a analista de comunicação Luiza Claro, compartilha suas perspectivas sobre as tendências e desafios da comunicação no Terceiro Setor em 2026. Descubra, na entrevista a seguir, como as organizações podem se preparar para o futuro e alcançar resultados incríveis.
Gecom: Como você vê a evolução da Comunicação no Terceiro Setor nos últimos anos e quais são as principais tendências para 2026?
Luiza Claro: A comunicação no Terceiro Setor amadureceu muito. Antes, a comunicação era vista mais como apoio: fazer post, divulgar ação, dar visibilidade à causa e à ONG, por exemplo.
O desafio em comum dos comunicadores era conseguir ter o reconhecimento que a comunicação precisa ser estratégica, parte do planejamento da organização.
Para 2026, vejo uma comunicação ainda mais integrada ao todo da ONG, muito conectada a dados, impacto e relacionamento.
Menos campanha solta e mais construção de comunidade, com formatos mais dinâmicos e foco em mostrar processos e resultados.
Gecom: Quais são os principais desafios que as ONGs enfrentam em termos de Comunicação em 2026 e como você acredita que eles podem ser superados?
Luiza Claro: O principal desafio continua sendo o investimento. É comum ainda ver equipes pequenas e acúmulo de funções. Entendo que isso se supera com priorização e estratégia.
Outro ponto forte é a dificuldade de se destacar num ambiente digital saturado.
Não é preciso publicarmos em todas as redes se não é estratégico para organização, mas é possível adaptar o mesmo conteúdo para diferentes formatos.
Também vejo um grande potencial no uso inteligente de ferramentas para otimizar processos e ganhar fôlego.
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| Para a analista de comunicação, a inteligência artificial é uma aliada, principalmente, para organizações que têm poucos recursos. / Crédito: Sophia Vogel |
Gecom: Como a Inteligência Artificial está impactando a Comunicação no Terceiro Setor e quais são as oportunidades e desafios que elas apresentam?
Luiza Claro: Eu vejo a IA como uma aliada, principalmente, para organizações que têm poucos recursos.
Quando bem usada, pode ser um apoio para organizar ideias, estruturar conteúdos, analisar dados e ganhar tempo. Isso libera o profissional de comunicação para pensar de forma mais estratégica e humana.
Ao mesmo tempo, existe o desafio de não perder autenticidade. Comunicação no Terceiro Setor é sobre pessoas e histórias reais, então precisamos ter um olhar sensível.
Reforço que nem tudo o que a IA produz precisa e deve ser usado. Temos que refletir se está alinhado com os valores da ONG e se condiz com o objetivo da mensagem.
Para mim, o caminho é usar a IA como apoio, mas manter a atenção e o lado crítico nas respostas entregues por ela.
Gecom: Quais são as habilidades e competências que um profissional de Comunicação no Terceiro Setor precisa ter em 2026 para ser bem-sucedido?
Luiza Claro: Para mim, mais do que dominar ferramentas, esse profissional precisa conhecer bem a organização que trabalha. Entender a causa, o impacto, o público e como a comunicação se conecta com os beneficiários, a captação, os programas e o voluntariado.
Também vejo como essenciais: capacidade de análise de dados, adaptação a diferentes formatos por conta dos multicanais que trabalhamos hoje e, principalmente, aprender a transmitir transparência. No Terceiro Setor, para comunicar é preciso gerar confiança e credibilidade primeiro.
Em 2026, quem conseguir unir estratégia, tecnologia e humanidade vai se destacar.
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