segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

17 Reflexões para 2017



 

Que tal começar o novo ano com algumas palavras de incentivo de intelectuais, filósofos, personalidades, dentre outros comunicadores para nos motivar a fazer 2017 um ano bem melhor do que foi o anterior? 
Confesso que eu até mesmo me surpreendi ao selecionar estas 17 reflexões. Tenho certeza que você também irá gostar e refletirá, pelo menos, em uma delas. Vamos lá?

“O homem como ser histórico, inserido num permanente movimento de procura, faz e refaz constantemente o seu saber.” Paulo Freire, foi pedagogo, filósofo, educador e Patrono da Educação Brasileira.


“Façam com que suas ações reflitam as suas palavras.” Severn Suzuki, ativista em defesa das causas ambientais e fundadora do Environmental Children’s Organization (ECO).


“O comunicador hoje tem que se tornar um ser culto, em um mundo de relações cada vez mais complexas.” Paulo Nassar, professor livre-docente da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e diretor da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje).


“No relacionamento comunitário tem de haver por parte dos polos interlocutores, um interesse em superar um conflito. Caso contrário, não se estabelecem compromissos e a atividade passa a ser puramente assistencialista.” Cecília Maria Krohling Peruzzo, doutora em Ciências da Comunicação e pesquisadora da área de comunicação nas linhas popular, comunitária, alternativa e mídia local.


“A televisão, o rádio, o jornal, a revista. Todas as formas de comunicação têm que se colocar não como simplesmente alguém que anuncia alguma coisa ou que informa, mas alguém que participa da mudança; da mudança do rumo do país; da mudança do rumo da história.” Herbert de Souza, Betinho, foi sociólogo e fundador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).


“Esperançar é ir atrás, é se juntar, é não desistir; esperançar é procurar em nós e à nossa volta as sementes que urgem exterminar, de forma a limpar terreno para proteger o Futuro e acolher a Vida com mais plenitude.” Mario Sergio Cortella, filósofo, escritor e comentarista da Rádio CBN.


“O maravilhoso cérebro humano é a fonte de toda a nossa força e a fonte do nosso futuro, desde que o utilizemos na direção correta. É realmente desastroso usar o brilho da mente humana de modo negativo.” Dalai Lama, líder espiritual e temporal do povo tibetano.


“O papel do jornalista se torna cada vez mais importante porque o discernimento é cada vez mais exigido. Separar a quantidade de informações que chegam, traduzir conteúdos complexos,  compactar informações. O jornalismo tem uma bela tarefa no mundo que está chegando.” Marcelo Tas, jornalista, diretor, apresentador de televisão, escritor, roteirista e comentarista da Rádio CBN.


“Traga o tema da sustentabilidade para uma linguagem mais acessível em tudo aquilo que for comunicar.” Fernando Almeida, presidente executivo do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).


“Se você quer ter uma vida estável, profunda e inteligente, valorize a trajetória. Dê importância para cada passo. Assim, o teu eu será um construtor de projetos socioemocionais e não apenas um ansioso desfrutador da trajetória do ponto final.” Augusto Cury, psiquiatra, psicoterapeuta e escritor.


“Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá, enfim, evoluir a um novo nível.” Umberto Eco, foi escritor, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo italiano.


“Nossa missão, como pesquisadores e formadores de futuros profissionais de comunicação, é contribuir para uma consciência social que tem como ponto de partida os princípios e os valores da democracia e da cidadania.” Margarida Maria Krohling Kunsch, professora-titular e pesquisadora da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), pioneira nos estudos de Comunicação Organizacional e membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e Relações Públicas (Abracorp).


“As sociedades sempre foram influenciadas mais pela natureza da mídia pela qual os homens se comunicam, que pelo conteúdo da comunicação.” Marshall McLuhan, foi educador, filósofo e teórico da comunicação canadense.


“A sustentabilidade não está baseada apenas nos recursos financeiros, mas também na comunicação, na manutenção da imagem da organização, na coerência em relação a sua missão, na capacidade de mobilizar a sociedade para uma causa importante.” Marcos Kisil, professor titular da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.


“Cada pessoa tem sua caminhada própria. Faça o melhor que puder. Seja o melhor que puder. O resultado virá na mesma proporção de seu esforço.” Mahatma Gandhi, foi líder do movimento de independência da Índia e defensor do Satyagraha (princípio da não-violência) como meio de revolução.


“Acho que é justamente nos momentos difíceis e nas situações de frustração que se comprova a força e o caráter de cada um, tornando os problemas e a frustração em estímulos para dar a volta por cima.” Ayrton Senna, ex-piloto brasileiro de automobilismo, foi tri-campeão mundial da Fórmula 1.


“Talvez acabemos todos vivendo a obesidade mórbida intelectual de uma sociedade extremamente competitiva, que cada dia mais valoriza não o que somos, nem o que temos, mas o que parecemos ser ou ter. Falta descobrir quem vai nos dar o modelo a seguir, e com qual intenção.” Silvana Gontijo, jornalista, diretora de arte, escritora, pesquisadora na área de midiaeducação e presidente da OSCIP Planeta PontoCom.


Feliz 2017! Porque o futuro depende de nossas ações de hoje! 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Uma comunicação para organizar e divulgar




Divulgar uma instituição. Fazê-la ser conhecida. Sair do anonimato. Um trabalho estratégico que necessita de organização, dedicação e empenho de uma equipe. Deve contar, especialmente, com a participação de um comunicador.

Apesar das mídias sociais estarem em evidência, somente elas não são suficientes. A divulgação, somente por este meio, já está se tornando comum e não é mais nenhuma novidade (quantas ONGs você encontra nas redes sociais com a mesma causa?). É preciso variar as estratégias e saber se diferenciar para ser reconhecido. Tudo bem. Eu sei que não é fácil. Fazer o uso corretamente de cada ferramenta de comunicação de forma criativa e articulada, conforme as características de cada instituição, considerando cada tipo de público, é saber utilizar a comunicação de forma estratégica.

Às vezes, não se tem recursos e nem pessoas dedicadas a essa atividade, aí a divulgação vira um tiro no pé.

A divulgação da instituição é uma oportunidade de divulgar os trabalhos e os projetos por ela oferecidos, além de potencializar voluntários e outros apoiadores. Portanto, manter o local físico da instituição sempre limpo e organizado (como uma casa bem arrumada) é fundamental. As informações como missão, visão, objetivos, projetos e relatórios, também devem ter atenção. Tendo esses cuidados, as fragilidades (e isso toda instituição possui) serão menos evidenciadas. Atenção! Não quero dizer que elas serão ignoradas, mas sim, que os aspectos positivos – organização e seriedade do trabalho – serão mais destacados.

Quando se decide expor uma ONG, a partir de um plano estratégico, é preciso motivar os integrantes de toda equipe, sem esquecer os voluntários pontuais. São essas pessoas que vão expandir e ampliar a rede de contatos. Para isso, elabore a estratégia de divulgação junto com elas. Afinal, você precisa de pessoas e parceiros. Aproveite os canais de comunicação que serão trabalhados e, se possível, explore-os bastante (e corretamente).

Faça um estudo bem detalhado dos propósitos da divulgação. Quais são seus objetivos e se o momento permite esta exposição. Há casos em que a ONG ainda está se organizando ou se reestruturando, então, como disse anteriormente, a divulgação pode ser um tiro no pé.
A realização de eventos (como exposição de trabalhos, mobilização de ativistas), apresentações (espetáculos de dança, música ou teatro) com o apoio de uma descrição breve sobre a instituição, mutirões, convites para uma visita à ONG, cartas ou e-mail de agradecimento à participação de algum evento ou aos voluntários, são alguns dos meios que podem ser mais explorados. Devidamente utilizados, trazem resultados significativos.

Assim, um comunicador estratégico (ou uma equipe de comunicação), que ouve, observa e tem apoio de todos os envolvidos, conseguirá, com dedicação e tempo, obter resultados satisfatórios para a instituição, desde que ela esteja organizada.

sábado, 30 de julho de 2016

Trajetórias de pessoas que fazem a diferença


Contar histórias de pessoas que fazem a diferença com poucos recursos para mudar a realidade daquelas que vivem a sua volta. Foi com esta missão que nasceu o Projeto Trajetórias (o mais novo projeto de comunicação da ONG Atados Rio) com uma equipe de mais de 50 voluntários que se uniram e visitaram seis comunidades do Rio de Janeiro para produzir vídeos sobre relatos inspiradores dessas pessoas.

“O Trajetórias surgiu a partir de uma vontade nossa, do Atados, de contar as histórias que escutamos quando visitamos as ONGs. São histórias de pessoas incríveis, que batalham muito por uma melhora para a sociedade”, conta Gabriel Faro, coordenador de Comunicação da ONG Atados Rio.

A equipe de voluntários visitou as comunidades Pavuna/Chapadão, Rocinha, Pereira da Silva, Cantagalo, Dona Marta e Providência entre os meses de junho e julho. Cerca de 36 vídeos foram produzidos pelos grupos que eram formados por captadores de histórias, comunicadores, videomakers, designers e editores.

De acordo com o coordenador, “Quando convocamos os voluntários não fizemos nenhuma especificação quanto a formação, apenas dissemos o que precisava ser feito. Ficava a encargo da pessoa decidir se queria e se achava que podia cumprir com a função. O mais importante para gente é a vontade de fazer acontecer e nem tanto a capacidade de cada um.”

A escolha do vídeo, como ferramenta de comunicação do Projeto, foi estratégica. “Não queríamos que essas histórias ficassem só em nossos ouvidos e corações, mas que pudessem tocar os de outras pessoas também. Por isso, chegamos a conclusão de que o vídeo era o melhor formato para cumprir com esse objetivo”, explica Gabriel. 

A primeira oportunidade 

Alguns voluntários são estudantes de Comunicação ou estão fazendo alguma especialização na área. É o caso de Andressa Rodrigues, formada em Jornalismo e estudante de pós-graduação em Produção Audiovisual, que teve sua primeira experiência como voluntária em um projeto.

“Sempre tive vontade de fazer um trabalho voluntário, mas não sabia direito como procurar e achar algo que tivesse haver comigo. Quando descobri o projeto de cara me interessei. Poder ajudar outras pessoas dentro da área de comunicação foi a melhor maneira de poder contribuir”, conta Andressa, que foi a editora dos vídeos da comunidade Santa Marta.

Para Danielle Crys, estudante de Jornalismo e que, também, atuou como editora dos vídeos da comunidade Pereira da Silva, o trabalho foi muito gratificante. “Sempre tive vontade de fazer trabalho voluntário, mas nunca tinha tomado a iniciativa e estava passando por um momento complicado na minha vida. Participar desse projeto foi um meio de me reencontrar como ser humano. Ajudar a contar histórias de pessoas tão brilhantes, que fazem o bem sem olhar a quem, mudou meu olhar de observar o mundo”.

Filipe Neves, que está no último período do curso de Publicidade e Propaganda, também teve seu primeiro trabalho voluntário pelo Projeto Trajetórias, atuando na comunidade Providência. Ele foi o responsável pela identidade visual, além de ajudar na escolha do nome Trajetórias. “O projeto foi muito interessante, pois através dele eu adquiri um novo olhar sobre as favelas. Antes, quando olhava para uma comunidade, tudo que eu via era um amontoado de casas. Agora, eu percebo que dentro daquelas construções existem pessoas, e cada uma dessas pessoas tem uma história para contar. Perceber isso, foi o meu grande aprendizado com o projeto”, conta Filipe. 


Curta os vídeos
 
Os vídeos estão na rede social Facebook desde o dia 20 de julho.
Toda segunda-feira é lançado um vídeo de curta duração. Às quintas-feiras é lançado o vídeo completo, todos na página oficial do Facebook do Atados-Rio.

Assista ao teaser do Projeto no link abaixo. 


Assista aos vídeos que já estão na rede.


Acesse o Facebook oficial do Atados Rio.



Sobre o Atados

O Atados é uma plataforma que une voluntários à projetos sociais através do site www.atados.com.br. A ONG surgiu em São Paulo, há 4 anos, e também está presente em Brasília e Curitiba, com uma rede de 40 mil pessoas, 400 ONGs e 30 empresas. A sede carioca foi lançada em dezembro de 2015 e já faz parceria com 90 projetos aqui no Rio de Janeiro.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O valor significativo da comunicação



Ao iniciar o processo de implementar um setor, uma equipe, um departamento ou uma área (fica a critério de cada um a terminologia) de Comunicação em uma organização sem fins lucrativos, como um meio de apoiar as soluções para os problemas detectados pelo diagnóstico do planejamento, é preciso convencer os olhares desconfiados de pessoas que não entendem muito bem o que significa adotar essa ferramenta estratégica.

O apoio da direção superior é indispensável para a realização desta proposta. Após uma apresentação teórica sobre o que significa ter uma área de Comunicação dentro de uma instituição, é necessário comprovar a sua necessidade e funcionalidade por meio da prática. O trabalho de convencimento deve ser feito dessa forma.

Kunsch (2007) cita,“é preciso ter a capacidade de inovar e assumir riscos constantes, baseando-se no pressuposto de que o conhecimento não é algo acabado e definido, mas algo que tem de ser desconstruído e reconstruído.”

Assim, o profissional de comunicação deve assumir a iniciativa de criar um meio de
comunicação simples e fácil que possa renovar de alguma forma a energia dos membros da instituição.

Como sugere Kunsch (2007), em sua metodologia alternativa do processo do planejamento da comunicação, “é preciso criar um instrumento com ênfase na participação, interação e valorização das pessoas e no trabalho integrado em equipe.”

Quando iniciei meu trabalho de comunicação em uma ONG, tomei a iniciativa de criar um pequeno informativo (de fato bem simples) feito em folha A-4, de uma página, com notícias objetivas e curtas sobre os interesses da instituição. O informe circulava internamente, com distribuição aos visitantes na sede. O informativo era estratégico para dar visibilidade às práticas e ações que faziam a diferença nas comunidades em que a instituição atuava, além de tentar (re-) unir todos os integrantes, especialmente os educadores.

O informativo funcionou como estratégia para implementar uma equipe de Comunicação na instituição e, também, como base para relatório ou registro de atividades. Por isso, cada passeio ou apresentação era motivo de pauta. A ida ao cinema para assistir à pré-estreia de um filme, as apresentações das crianças, a participação em palestras de cunho sociopolítico foram assuntos que tiveram uma análise cuidadosa para reforçar o argumento de que era necessário criar uma equipe de Comunicação.

Após seis meses, o informativo ganhou formato de minitablóide com quatro páginas. As notícias continuaram e houve mais destaques de matérias. As pessoas citadas no informe sentiam-se valorizadas. A simples menção de seus nomes as faziam sentirem-se importantes. O reconhecimento pelo que elas faziam e produziam, lhes dando visibilidade por meio de uma simples mídia, já era considerado um valor simbólico para ela na ausência de um retorno financeiro. Os protagonistas das matérias ficavam surpresos com os resultados e sentiam-se como se realmente estivessem em um jornal de grande mídia. O minitablóide ficava exposto na entrada da sede do grupo e os visitantes paravam para ler com muita atenção. Esta receptividade pelo público pode ser explicada nas seguintes palavras de Cicilia Peruzzo (apud KUNSCH, 2007)

Os movimentos sociais e as demais organizações sem fins lucrativos, uma vez percebendo-se ausentes da grande mídia na representação de seu modo de vida e de suas necessidades comunicacionais, passam a forjar uma comunicação própria, que em última instância participa de um processo de mobilização, visando à transformação social.

E complementa,

Trata-se de um fenômeno comunicacional que pressupõe o envolvimento das pessoas de uma “comunidade” ou dos movimentos sociais, não apenas como receptoras de mensagens, mas como protagonistas dos conteúdos e da gestão dos meios de comunicação. (PERUZZO apud KUNSCH, 2007).

Evidenciava-se o valor significativo da Comunicação, humanizar as pessoas.

Fonte: KUNSCH, Margarida Maria Krohling; KUNSCH, Waldemar Luiz. Relações públicas comunitárias: a comunicação em uma perspectiva dialógica e transformadora. São Paulo: Summus, 2007.