quinta-feira, 23 de junho de 2022

Dia das Boas Ações: Atados volta a realizar grande evento mundial de voluntariado presencialmente



Divulgação / Crédito: Isabela Leal

O Dia das Boas Ações 2022 (DBA), organizado pela ONG Atados, no dia 29 de maio, no Parque Garota de Ipanema, marcou o reencontro presencial das ONGs e voluntários, após dois anos em que todos só se viam no ambiente online. Devido à pandemia, as duas edições anteriores foram realizadas em um formato diferente com ações que envolviam o combate à fome e atividades que mantivessem às ONGs e os coletivos conectados e engajados em sua luta social, criando a Semana Social, incentivando o voluntariado a distância, e o Criadores de Atos.

Na sétima edição do Dia das Boas Ações, ocorrida no Rio de Janeiro e São Paulo, 80 projetos socioambientais estiveram presentes para dar visibilidade aos seus trabalhos e causas defendidas, revitalizando suas energias e atraindo mais voluntários ou como diz o slogan da organização, "juntando gente boa".

O Gecom registrou os principais relatos dessas iniciativas que ocuparam o espaço Feira de Projetos Sociais sobre como foi estar de volta ao DBA ou qual foi a sensação de participar pela primeira vez do evento mundial do voluntariado.

Créditos das fotos: Isabela Leal @bela_leal





































































Sobre o Dia das Boas Ações

O Dia das Boas Ações - originalmente chamado de Good Deeds Day - é um movimento mundial de voluntariado que convoca cada pessoa a participar da transformação da sociedade. O objetivo é despertar e mobilizar pessoas para causas sociais, divulgar formas de se engajar e participar ativamente da sociedade, e divulgar os trabalhos sérios realizados pelas organizações da sociedade civil.
O Dia das Boas Ações foi criado em 2007 pela empresária e filantropa, Shari Arison, e lançado e organizado pela ONG Ruach Tova, uma parte da The Ted Arison Family Foundation, o braço filantrópico do Grupo Arison.
Desde o seu lançamento, esta tradição anual do bem cresceu de 7.000 participantes em 2007, em Israel, para quase 1 milhão em 2015. Ao se tornar global em 2011 com 10 cidades internacionais, incluindo muitas nos EUA, o Dia das Boas Ações começou a unir pessoas em todo o mundo. Em 2012, alcançou a Europa e junto com a MTV Global realizaram uma campanha de seis semanas em suas plataformas online e televisivas, expondo a mensagem a 24 milhões de pessoas ao redor do mundo.
Em 2019, o Dia das Boas Ações mobilizou 3.900.000 participantes de 108 países, que participaram de 20.000 projetos, com um total de 7,8 milhões de horas de serviço.
No Brasil, o evento é organizado pela ONG Atados desde 2016, incentivando a atuação civil e a profissionalização do terceiro setor.

Confira aqui as edições anteriores 2019, 2018, 2017 e 2016.

Sobre o Atados

O Atados é uma ONG que tem o objetivo de mobilizar pessoas e gerar transformações positivas na sociedade, através das seguintes frentes: plataforma digital gratuita de voluntariado, projetos empresariais, projetos sociais autorais e fortalecimento de rede no Terceiro Setor, promovendo encontros, capacitações, projetos e geração de conteúdo. Possui mais de 3.500 ONGs e coletivos cadastrados. Junto a empresas, desenvolve projetos de impacto social, voluntariado, consultoria e mapeamento.



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sexta-feira, 27 de maio de 2022

Um novo cenário da Comunicação para o Terceiro Setor

Banco de imagem/Gecom

A pandemia trouxe muitas mudanças para as organizações do Terceiro Setor, exigindo que elas se adaptassem a um novo cenário mundial. Algumas tiveram que mudar temporariamente seu foco de atendimento para uma assistência emergencial, como distribuição de cestas básicas e kits de higiene. Fecharam, momentaneamente, suas portas para atender de forma online ou parcialmente seu público. Pequenas iniciativas surgiram e "novas" ferramentas de comunicação foram incorporadas em seus processos.

A área de Comunicação ficou mais evidente e aquela organização que esteve bem preparada (com uma equipe ou um profissional neste campo) e que soube fazer bom uso das ferramentas conseguiu sobreviver a essa turbulência, no que se refere quando a pandemia esteve no seu auge.

Em 2019, a ONG Nossa Causa divulgou uma pesquisa sobre o cenário da Comunicação no Terceiro Setor, onde 85% das OSCs afirmaram ter alguém responsável pela comunicação e marketing. Em 50% das OSCs a área de comunicação era composta por somente uma pessoa. 15% não tinham um responsável e outros 15% com uma equipe de voluntários.

Nessa mesma pesquisa, as organizações pretendiam investir em comunicação e marketing para o Terceiro Setor da seguinte forma:

  • 14% rede sociais
  • 7% foco nas estratégias digitais
  • 4,5% produção de conteúdo de qualidade
  • 3,9% produção audiovisual
  • 3% profissionalização

Com esses dados e o consequente impacto que a pandemia trouxe para essas organizações, é possível reafirmar que uma comunicação estruturada e o investimento que se faz nela são requisitos fundamentais em qualquer ambiente (de crise ou não).

A Comunicação sempre foi educação, interação, participação e diálogo. Trocas de aprendizados e compartilhamentos de saberes. Mas foi neste momento em que se exigiu um exercício maior para que a prática da escuta ativa se tornasse realidade em muitas ONGs.

A busca por soluções comuns e formas de se conectar com seu público exigiram criatividade e resiliência para quem estava à frente da Comunicação, sem deixar se levar pela vaidade, egocentrismo e individualismo.

Com a flexibilização das medidas de prevenção do coronavírus e a realidade das novas tecnologias (em especial as mudanças nas mídias sociais e plataformas de captação de recursos), a Comunicação de hoje se encontra no desafio de promover a sustentabilidade financeira, a valorização dos recursos humanos, o reposicionamento da imagem, a sensibilização da sociedade para a causa defendida e medidas de prevenção de crises emergenciais.

Em janeiro deste ano, o site Porto Social destacou a importância de se manter atualizado por meio de cursos que são oferecidos para o Terceiro Setor.

Fato é que a formação para o mercado de trabalho no terceiro setor é uma tendência cada vez mais forte, afinal a relevância das OSCs e demais iniciativas de impacto são cada vez mais claros, especialmente em cenários como o atual, onde a solidariedade e o engajamento cívico têm cada vez mais valor e grande papel no cuidado com os mais necessitados e na transformação de realidades.

E completa,

Os cursos livres, imersões, seminários e demais iniciativas organizadas pelo próprio setor são tão fundamentais quanto cursos de graduação e pós-graduação, principalmente quando o assunto é a promoção de novas habilidades que contribuirão para o desenvolvimento de um impacto social real, relevante e sustentável.

Mesmo em um momento como esse, o importante é não parar e encontrar formas criativas de se reinventar e se atualizar para compartilhar experiências e ampliar conhecimentos.

Um profissional mais habilidoso, com visão crítica da realidade e que consiga trabalhar como mediador de diversos públicos, exige um esforço educacional que todo responsável pela comunicação deve ter para que ações de mobilização e conscientização se concretizem dentro das organizações do Terceiro Setor.

E se você quiser aprender mais e compartilhar suas experiências, entre em contato conosco pelo e-mail gecomterceirosetor@gmail.com.


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sexta-feira, 29 de abril de 2022

Comunicação como ferramenta de mobilização social

 

Divulgação

"A comunicação passou a ser uma preocupação central na dinâmica dos movimentos sociais. As simples associações espontâneas entre indivíduos mobilizados diante de uma causa se transformaram em projetos com objetivos e estrutura bastante elaborados - verdadeiras instituições com públicos definidos."

A citação acima é do livro "Comunicação e estratégias de mobilização social", de Márcio Simeone Henriques.

Ainda de acordo com o autor

"A sobrevivência desses projetos no novo cenário social, onde a atenção dos indivíduos é disputada entre várias redes de interação, requer uma intervenção mais especializada e profissional da comunicação", afirma.

E para ilustrar o papel da comunicação como ferramenta de mobilização social, entrevistamos a gestora de comunicação na ONG Nossas, Samira Martins.

Formada em Jornalismo pelo Centro Universitário Una em Belo Horizonte com especialização em Gestão Estratégica em Comunicação e Negócios pela PUC Minas e em Marketing, Branding e Growth Hacking pela PUC-RS, atuou como head de comunicação externa no grupo Invepar, possui uma sólida experiência em comunicação de projetos no segmento de óleo e gás (novos combustíveis sustentáveis da Petrobras), infraestrutura (Metrô Olímpico) e educação. Samira, também, foi finalista em quatro categorias do prêmio de melhores práticas em comunicação nos projetos da Petrobras.

Confira a entrevista.

Gecom: Conte sobre sua trajetória profissional até chegar na equipe de Comunicação do Nossas.

Samira Martins: Posso falar que em 15 anos de carreira passei por diversos segmentos que me permitem ter uma visão mais global e estratégica da Comunicação e da gestão de marcas. Iniciei minha carreira profissional no segmento de educação, atuando como analista de comunicação e Marketing no Centro Universitário Una. Na sequência, assumi o meu primeiro desafio de liderança bem diferente: a gestão da comunicação no projeto de construção da planta do diesel sustentável em uma refinaria da Petrobras. Foi um projeto muito desafiador e que me rendeu o convite para trabalhar na sede da Petrobras no Rio de Janeiro na diretoria que olhava todos os projetos de engenharia do Brasil. Ainda na petrolífera fiz uma migração para a área de Responsabilidade Social. O próximo desafio foi a gestão de comunicação no projeto da Linha 4, no metrô Olímpico na cidade do Rio de Janeiro, o que me rendeu após 2 anos o convite para trabalhar na sede da Invepar, uma das maiores empresas de infraestrutura do país, sendo responsável por estratégias de branding, marketing e digital em diversos segmentos de mobilidade como o Gru Airport e o MetrôRio. Após tanto tempo de aprendizado precisava alinhar os meus conhecimentos com um propósito de vida: fazer uma comunicação que transforma a sociedade.E por isso, assumi a gerência de comunicação da ONG Nossas em setembro de 2021.

Gecom: Qual o papel da comunicação do Nossas nas campanhas de mobilização da sociedade para uma causa?

Samira Martins: A Comunicação tem um papel muito estratégico na elaboração e divulgação das mobilizações do Nossas. Além de criar uma identidade visual que crie conexão com as causas, trabalhamos também em todas as estratégias de redes sociais, influenciadores, parcerias e relacionamento com a imprensa, entendemos como cada causa se conecta com os ativistas e com a nossa audiência. Além disso, pensamos como cada campanha pode ser, de fato trazer impacto de mudança ou de escalar o tema para um debate social.

Divulgação



Gecom: Quais os desafios que a comunicação encontra nessas campanhas?

Samira Martins: A maior dificuldade é de fato lidar com tantas causas e campanhas tão necessárias no Brasil de hoje. A nossa frase mais conhecida nas redes sociais é que o ativista não tem um dia de paz e no Brasil não tem mesmo. Todos os dias temos alguma injustiça ou absurdo que acontece. A grande dificuldade é trazer um nível, uma consciência e engajamento para causas essenciais e às vezes não tão óbvias, como a questão da licença maternidade contar no tempo de aposentadoria das mães, ou do auxílio camelô no carnaval do Rio de Janeiro ou até de temas que ganharam o debate nacional como a pobreza menstrual ou o pacote da destruição que estava em tramitação no congresso.

Gecom: Quais recomendações você compartilha com os comunicadores que trabalham com campanha de mobilização social?

Samira Martins: Que a comunicação do terceiro setor brasileiro esteja aberta ao que chamo de transferência de domínio. Muitas vezes uma marca comercial e capitalista cria uma estratégia de comunicação genial e muitas vezes fechamos os olhos por não comunicar de fato com o nosso campo. Porém, há de se entender o que foi feito de bom, de estratégico e trazer isso em uma releitura para a comunicação do terceiro setor. Outro ponto é entender que o nosso trabalho é 100% focado em pessoas e em conexão, por isso, fazer pesquisas constantes, observar métricas e se permitir testar novos formatos de conteúdo para aumentar esse engajamento. Somente com testes e dados podemos ajustar as rotas e entender como falar com o nosso público.

Divulgação



Sobre Nossas

O Nossas nasceu em 2011 com o Meu Rio, uma organização multicausas que aproxima os cariocas da política local. O Nossas impulsiona o ativismo solidário e democrático no Brasil, por meio da Rede Nossas Cidades, do Norte ao Sul do país, com a missão de fortalecer os movimentos e pessoas que estejam se organizando para fazer a diferença no território nacional. A organização faz isso compartilhando metodologias, dando treinamentos e oferecendo uma plataforma online de petições e campanhas, o BONDE. Em 2021, foram 15 campanhas vitoriosas em que mobilizaram milhares de pessoas, voluntários e organizações parceiras em todo o país, e cujo impacto transformou positivamente a vida de milhares de brasileiros.


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sexta-feira, 25 de março de 2022

O que é Comunicação para o Terceiro Setor?

Banco de imagem/Gecom


Este conceito é intrínseco às outras denominações, como Comunicação de Causas, Comunicação para o Desenvolvimento, Comunicação Transformadora, Comunicação de Impacto, Comunicação para Transformação Social dentre outras.

“Ainda não há consenso em torno de um único termo: comunicação de causas, comunicação transformadora, comunicação de impacto, comunicação para transformação social, entre outras denominações, porém todas buscam comunicar à sociedade um clamor socioambiental e convocá-la a agir.” (Elementos da Comunicação de Causas - Gife - São Paulo, 2021, Número 5)

Em minhas pesquisas e vivência no campo da Comunicação, nas ONGs e movimentos sociais, defino da seguinte forma.

Comunicação para o Terceiro Setor é saber sensibilizar e mobilizar as pessoas para alguma causa.

É construir narrativas verdadeiras que possam engajar diferentes públicos para uma causa defendida por uma ONG. É propor um debate de interesse público para a agenda da sociedade.

A Comunicação deve gerar e fortalecer relacionamentos, propor legitimidade e credibilidade às ações realizadas pela ONG, dando algum retorno (prestar contas) à sociedade (equipe interna, voluntários, doadores, comunidade e outros parceiros). Isto é, ir além da visibilidade com transparência e ética.

Envolve, portanto, “colocar um tema na agenda da sociedade, mobilizar os convertidos, conquistar os indiferentes e influenciar os tomadores de decisão com o objetivo de mudar a realidade social, cultural, econômica e ambiental por meio da sensibilização do público e de mudanças nas políticas públicas” (CAUSE, INSTITUTO ARAPYAÚ, SHOOT THE SHIT, 2016, p. 7, citado por Elementos da Comunicação de Causas - Gife - São Paulo, 2021, Número 5).

A Comunicação deve agregar valor à causa, adotando métodos tradicionais e contemporâneos em sua forma.

A falta de organização e planejamento levam a uma equivocada comunicação, onde os resultados são obtidos por meio de intuição e achismos.

Portanto, deve-se usar diferentes estratégias da comunicação para gerar mudanças positivas na sociedade.

Para isso, a comunicação deve ser estratégica e estar em diálogo constante com as áreas programáticas das organizações. O intuito é apoiar a organização a identificar o problema e entender a história que precisa ser contada para se conectar com seus públicos. Quando inserida de forma estratégica, a comunicação fará as provocações necessárias para que sua causa chegue aonde precisa chegar. (Elementos da Comunicação de Causas - Gife - São Paulo, 2021, Número 5)

No livro, Comunicação e estratégias de mobilização social, Márcio Simeone Henriques ressalta a importância do planejamento com algumas observações.

O planejamento de estratégias de comunicação é importante para garantir a vinculação dos públicos em um nível ideal e para que não se perca o foco sobre os objetivos que se quer alcançar.

Por outro lado, a excessiva preocupação com o planejamento da comunicação em projetos de mobilização acarreta um risco de cristalização do movimento, institucionalizando-o e burocratizando-o a ponto de impedir a vinculação espontânea dos indivíduos, por meio de uma conjugação entre os instrumentos de comunicação e o acesso dos públicos às informações.

A comunicação deve ser plástica e flexível o suficiente para não corromper o dinamismo dos desejos e interesses das pessoas mobilizadas, e, assim, assegurar a participação democrática desses atores.

Importante finalizar com a seguinte afirmação do mestre em Comunicação e Semiótica Marques Casara.

O primeiro passo é descobrir o que fazer para ajudar a ampliar a visibilidade, a legitimidade social e a forma como dialoga com seus públicos. A comunicação pode maximizar brutalmente o alcance de suas ações.

É necessário realizar um diagnóstico e relacionar ponto a ponto os problemas mais agudos em sua estrutura. Apontar o que dá certo e o que não está dando resultado. E resolver uma coisa de cada vez.

Depois, é importante estabelecer um prazo e direcionar os recursos humanos e financeiros adequados ao projeto. Muitas organizações aprovam projetos de Comunicação e na hora de aplicar o recurso optam por uma operação tapa buraco.

Como está a Comunicação de sua ONG? Entre em contato com a gente e vamos conversar!

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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Líder comunicador: experiências e desafios na gestão de ONG

Divulgação

No livro “O gerente comunicador: um guia prático da Comunicação Gerencial” (Aberje, 2010) um líder estrategista deve possuir as seguintes competências: se relacionar com pessoas, tecnologias e finanças; apurar, comunicar e receber informações; sintetizar, analisar e criar processos; comandar rede de assessores; ser equidistante e imparcial para tomar decisões, principalmente nos momentos de crise.

A partir desta afirmação, assumimos que um bom gerente e líder comunicador deve ser estrategista a tal ponto de estar sempre buscando aprender algo novo. Aqui queremos destacar aquele profissional de comunicação que acrescenta outras formações acadêmicas e faz uso das experiências de vida e profissional para ter êxito na carreira. São comunicadores que estão em cargos de liderança, não de uma equipe de comunicação, mas que estão à frente de uma organização social do Terceiro Setor. É o caso do gestor de Projetos Sociais e fundador da Agência do Bem, Alan Maia. Graduado em Publicidade e Propaganda e Mestre em Serviço Social pela PUC-Rio, especializado em Gestão Estratégica de Organizações pela Harvard Business School, foi orador de turma da faculdade, laureado com o Prêmio Lions Humanitário e por seis vezes teve projetos premiados com o Troféu Responsabilidade Social. Alan, aos 43 anos, é professor de pós-graduação, fellow da Fundação Ford, nomeado Liderança Pública pelo Movimento Recomeça Rio, e é membro do time de consultores do Instituto Ethos - Empresas e Responsabilidade Social.


Confira, a seguir, a entrevista.


Gecom: Qual foi sua principal motivação para criar a Agência do Bem?


Alan Maia: A Agência do Bem é fruto de uma sequência de eventos de um histórico de engajamento social, voluntário, que vem desde a minha adolescência. Sou oriundo da região de Jacarepaguá, onde desde menino, por influência da minha família, eu me envolvia na condição de educador popular com atividades contínuas em comunidades e favelas. Sou filho de uma classe média baixa e como em todo o Rio de Janeiro, cercado por territórios “favelizados”, pelas comunidades e, desde muito menino, então, tenho contato com essa realidade. Tomei para mim um sentido de solidariedade, indignação e desejo de contribuir para a transformação da realidade social do país, de forma diferente, de forma inclusiva, dar oportunidade para todos com justiça social no seu mais amplo entendimento. Por conta disso, ainda jovem-adulto, a minha carreira profissional acabou se direcionando para a área social. A minha formação original é como comunicador, como publicitário, mas poucos anos depois de formado, eu voltei às fileiras universitárias. Fui fazer um mestrado em Serviço Social. Isso já se vão cerca de vinte anos e dali em diante eu não fiz outra coisa que não fosse trabalhar com gestão de projetos sociais. A Agência do Bem surge nesse movimento, numa busca pessoal, não somente minha, mas dos amigos que me acompanharam nessas iniciativas voluntárias desde a adolescência. Estava terminando o mestrado em 2005, muitas reflexões, observações, aprendizados, trabalhando no campo, trabalhando diretamente já na área social, desafiei o grupo. Propus de a gente institucionalizar os nossos esforços e, ao invés de atuarmos de uma maneira "informal" para outros projetos, outras organizações, que a gente tivesse a oportunidade de institucionalizar mesmo a nossa própria iniciativa e, dessa forma, surgiu a Agência do Bem, em 2005.


Gecom: Como a formação em Publicidade tem contribuído para o seu trabalho de gestão da Agência e quais são seus desafios nessa função de gestor da ONG?


Alan Maia: Eu acredito que a formação em comunicação, na verdade em publicidade, em particular, tem um caráter generalista. Quer dizer, a gente pode atuar num mercado muito amplo e, na vertente da publicidade, a gente também tem a dimensão comercial do marketing. São princípios que se aplicam a toda e qualquer organização com ou sem fins lucrativos. Eu entendo que seja uma formação generalista e que no terceiro setor também se faz. Não apenas ao sentido de encaixe, mas até uma necessidade grande, porque as organizações do terceiro setor muitas delas são criadas de forma voluntária, espontânea, com boa fé, mas às vezes sem estrutura, sem estratégia, sem a capacidade de gestão necessária com até esse sentido de conhecimento de comunicação, de marketing, um tino "comercial", no sentido de buscar os recursos que servirão para manter a sustentabilidade e a vida do financiamento das atividades dessa organização, dessa entidade. Então, eu vejo como uma formação que me foi muito útil. Eu me vejo em vários momentos atuando na Agência do Bem, ou para outros projetos que atuo como consultor, como voluntário - porque sou membro de conselhos -, como alguém da comunicação, como alguém da publicidade e do marketing, aplicando ferramentas que essa minha formação profissional me conferiu. Estratégias que essa vida profissional, também nesse ramo, me prestou de experiência aplicados ao trabalho de realidade social, a realidade do terceiro setor. Então, se não é uma formação, a princípio, pensada com essa finalidade específica, eu particularmente me sinto muito bem preparado pelo meu background profissional na área de comunicação e com uma possibilidade de utilização disso no universo do terceiro setor muito rica, muito ampla. Eu diria que certamente muito útil em tudo aquilo que eu faço.


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Gecom: Fale um pouco sobre a Escola de Música e Cidadania e como ela tem impactado positivamente as comunidades em que atua.


Alan Maia: A Agência do Bem tem por missão promover o desenvolvimento humano e a cidadania para as populações de baixa renda por meio da educação. Então, ao longo desses quase 17 anos de história, a gente desenvolveu diversos projetos educacionais. Mas aquele que mais se fortaleceu, se notabilizou, que a gente pode chamar de carro-chefe da Agência do Bem, é esse projeto de educação musical, as Escolas de Música e Cidadania, que a rigor, o propósito dele é a formação cidadã por meio do ensino da música. Então, a gente tem o foco na formação humana, cidadã, dos nossos alunos, das nossas alunas. É um projeto que tem hoje um alcance bastante grande. Está em 27 comunidades, em seis estados do Brasil, de norte a sul. São cerca de dois mil alunos atendidos este ano de 2022. Atividades semanais, contínuas, o ano inteiro. É um projeto bastante amplo, bastante complexo, mas que tem resultados incríveis. A gente atende alunos de 7 a 17 anos, desde a infância até o encaminhamento da vida adulta, da vida profissional, inclusive daquele aluno que tem aptidão, tem talento, tem o desejo em seguir carreira no ramo artístico. A gente tem, além do ensino de base, do técnico-musical, temos a formação humana, cidadã, a gente também fomenta a formação de grupos, bandas, basicamente grupos orquestrais. O principal deles está aqui no Rio de Janeiro, que é a Orquestra e Coro Nova Sinfonia, que tem mais de 10 anos da sua formação inicial. Centenas de alunos passaram por essa orquestra e grande parte dele vive da música. São musicistas de orquestra, estão fazendo universidade de música, estão estudando fora do país, estão dando aula de música, seja em particular, em escola de música, em escolas regulares, outros projetos… Inclusive temos alunos que foram formados por nós mesmos, foram pra universidade, voltaram e, hoje, tão dando aula em nosso próprio projeto. É um projeto super bem-sucedido, premiado. Em termos de impacto social, o nosso levantamento mais recente, indica que em três principais indicadores, comparados com os indicadores nacionais do nosso país, um aluno da Escola de Música e Cidadania da Agência do Bem tem nove vezes menos chance de repetir de ano na escola, 53 vezes menos chance de gerar uma gravidez na adolescência e índice zero de envolvimento com criminalidade ou atos infracionais. Enfim, é uma iniciativa das mais bem-sucedidas e que nos enche de orgulho.


Gecom: De que forma a comunicação contribui para os resultados deste projeto e da Agência do Bem?


Alan Maia: Um dos grandes desafios do terceiro setor é profissionalizar seu quadro e conseguir aplicar ferramentas de gestão e um olhar de longo prazo e estratégico em tudo que se faz. Isso não é fácil, porque a maioria das organizações começa muito pequena. Então, às vezes, falta mão de obra, falta qualificação dentro do grupo, falta tempo, falta "braço", para além de dar conta da demanda do dia-a-dia, para o atendimento da população, das condições, das rotinas mesmo, mais emergenciais, administrativas e tudo o mais. Quando a gente começa a pensar nessas outras coisas, elas demandam mais tempo, elas demandam contribuições mais sofisticadas muitas vezes. Então, não é fácil para uma organização pequena, para uma organização com recursos limitados, para uma organização que não tem uma esteira de vida, uma história, uma trajetória muito longa se dedicar a isso. Encontrar recursos, pessoas que possam desenvolver toda essa dimensão estratégica institucional. Eu tendo a crer que uma comunicação quando bem feita consegue ampliar a visibilidade dos projetos institucionais para um público maior, consegue promover um engajamento, também, mais qualificado para aquele público que já conhece, já acompanha, consegue trazer visibilidade para a organização, para o conjunto da sociedade, para outros públicos, potenciais doadores, potenciais parceiros. A comunicação bem feita, também, tende a engajar o patrocinador quando ele vê a marca dele aplicada de forma correta, presente de uma forma esteticamente bem feita, estrategicamente bem colocada, bem posicionada. Uma série de requisitos que uma comunicação bem planejada é capaz de trazer retorno para alavancar oportunidades, atrair recursos, seja humano ou financeiro, contribuir para o sucesso e para a longevidade da instituição.

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Gecom: O que você recomenda aos profissionais de comunicação que estão ou almejam alcançar um cargo de gerência de ONG?


Alan Maia: Esse não é um encaminhamento natural. Via de regra, profissionais de comunicação, quando estamos estudando, recém-formados, em qualquer carreira, a gente tende a visar aquelas inserções, aquelas colocações que trazem mais status. A gente quer trabalhar numa televisão, numa grande agência, quer trabalhar no setor de marketing, de comunicação de uma grande marca, de uma grande multinacional, por exemplo. No terceiro setor, eu tenho uma grata alegria de vez por outra receber colegas não somente da comunicação, mas do mercado em geral, querendo fazer uma transição de carreira. Mas isso costuma se dar com o avançar da experiência, na transição da primeira para a segunda década de vida profissional, geralmente na casa dos trinta anos. Ainda não é muito natural, infelizmente, a gente encontrar entre universitários, entre aspirantes a uma carreira na área de comunicação, fazer essa formação e se dedicar já de pronto para o terceiro setor. Mas sempre quando aparecem profissionais buscando uma transição de carreira, geralmente o discurso é: uma busca de propósito, ou seja, tudo aquilo que minha vida me ofereceu, a formação que eu tenho, a rede de relacionamentos, capacidade técnica, trabalho, enfim, quero colocar isso a disposição de uma causa, de um propósito maior do que enriquecer meu chefe e pagar as contas da minha casa. Muitos que chegam no terceiro setor, mais cedo ou mais tarde, buscam algum tipo de colocação diante da vida, diante da existência, algum princípio filosófico, religioso até que venha a abraçar. Acho que todos nós temos alguma coisa a testemunhar nesse sentido. Eu mesmo tenho um caminho parecido, ainda que precoce. Cada um tem o seu tempo e é muito bom quando chega. Mas eu diria que o importante, e é uma carência do setor, é que haja profissionalização. Então, quanto mais gente qualificada chegar para trabalhar no terceiro setor, melhor. A área de comunicação das organizações sociais, sem dúvida, reflete esse sentido de carência. Eu não tenho dúvida de que há espaço e há necessidade mesmo de que as organizações do terceiro setor incorporem nos seus quadros profissionais de comunicação. É um ramo a ser desenvolvido e a gente precisa de gente nova, sangue novo, pensando e trazendo esse sentido de paixão, esse sentido de vocação para o trabalho social. Porque isso é capaz de fazer a diferença. É isso que nos ajuda nesse grande movimento de transformação, de luta, por um mundo melhor, para uma sociedade mais justa. Eu espero que muitos colegas comunicadores possam se juntar a nós.


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