terça-feira, 15 de agosto de 2023

Relações Públicas e a qualificação profissional no Terceiro Setor

Lívia Cristina é formada em Relações Públicas e exerce a função de analista de relacionamento institucional no Instituto Dara. / Divulgação


De acordo com dados da pesquisa “A importância do Terceiro Setor para o PIB no Brasil e em suas regiões”, publicada em março deste ano, o Terceiro Setor contribui 4,27% para o PIB brasileiro. A geração de emprego total no Brasil é cerca de 5,88%, conforme a pesquisa. Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), os postos de trabalhos formais e informais remunerados gerados pelo Terceiro Setor são de 7,4% no Rio de Janeiro, o que demonstra sua importância para a economia brasileira. Essa contribuição só é possível com a qualificação de profissionais dentro do setor, sendo crucial uma aprendizagem constante, que ultrapasse a formação acadêmica.

Lívia Cristina Nunes Teixeira, 27 anos, é formada em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas, pela Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), possui especialização em Comunicação em Crises Organizacionais, pela Universidade Anhembi Morumbi e, atualmente, cursa Gestão de Projetos (MBA USP/ESALQ).

Lívia Cristina está como Analista de Relacionamento Institucional, no Instituto Dara, há mais de cinco anos e compartilha suas experiências e dicas valiosas no Terceiro Setor, na entrevista abaixo.


Gecom: Como a formação em Relações Públicas contribuiu para sua profissionalização no Terceiro Setor?


Lívia Cristina: A minha formação em Relações Públicas desempenhou um papel fundamental para estar no Terceiro Setor. Sempre falo que o relações públicas abre muitas portas e no Terceiro Setor precisamos dessas portas de conhecimento. Eu brinco dizendo que o setor é como um polvo. Cheio de tentáculos onde a gente tem vários tipos de atuação. Ter esse conhecimento de relações públicas dentro do Terceiro Setor foi um diferencial, porque através dos conhecimentos que adquiri durante o curso, eu pude desempenhar habilidades de comunicação estratégica, gestão de relacionamentos, que a gente utiliza muito com doadores, gestão de crise, não que necessariamente nesta organização em que estou tenha uma gestão de crise, mas diariamente a gente tem sempre que pensar em mitigar danos, o que pode gerar crise, comunicação interna, onde temos sempre que comunicar com equipes, fazer uma comunicação clara, entender com quem você está falando, principalmente a ética e a responsabilidade social, que deve permear todo seu processo quando se está exercendo qualquer função dentro do Terceiro Setor, porque você vai ser cobrado por isso. A transparência e a comunicação eficaz vão ser cobradas rotineiramente. Também tem a gestão de projetos, que é onde eu atuo com mais empenho, assim como na área de relacionamento institucional, algo que o mercado pede bastante, principalmente as empresas privadas com ESG. E o planejamento de eventos, corriqueiramente temos alguns eventos que a gente faz e pede doações.

A minha formação em Relações Públicas passa por todas essas áreas e me deu a capacidade de entender as necessidades e expectativas de diferentes partes interessadas, doadores, colaboradores, voluntários, trabalhadores, que são o nosso principal olhar e me permitiu estabelecer relações mais eficazes e claras.

Entender qual a linguagem para cada uma dessas pessoas, foi algo bem importante. Além disso, consegui criar campanhas, conscientizações, engajamentos com público interno e externo. Basicamente, é um pouquinho disso, porque a gente lida a todo momento com desafios e esses desafios pedem um olhar estratégico atrelado à ética que se torna crucial para um ambiente de transparência, de confiança, fundamentais para o nosso dia-a-dia dentro do Terceiro Setor.


Em seu trabalho, Lívia oferece orientação para os voluntários corporativos. / Divulgação



Gecom: Atualmente, você desempenha a função de relacionamento institucional no Instituto Dara. Conte um pouco sobre esse trabalho.


Lívia Cristina: Hoje, dentro da minha área de Relacionamento Institucional, no Instituto Dara, ela é centrada em cultivar e fortalecer parceria e relacionamentos com outras organizações que o instituto entenda estarem alinhadas com a política da missão, visão e valores. A gente diz muito que estabelece conexões que vão para além de só questões comerciais, nos preocupamos com todas as pessoas que estão envolvidas em nosso processo, de conversas em nosso dia-a-dia. Trabalho na gestão de projetos, escrevendo e elaborando, entre outras atividades que realizo. Identificamos os parceiros estratégicos, conversamos, fazemos reuniões, apresentamos o Instituto Dara, buscamos negociações e engajamento. Em todo o processo a gente tem que estar envolvido para trazer a sustentabilidade da organização. Muitas organizações hoje têm essa questão de entender a captação, tanto a pessoa física como a pessoa jurídica. Então, a negociação e o engajamento são muito importantes, porque têm que estabelecer esses contatos. Além disso, a gente tem o Desenvolvimento de Relacionamentos, pois constantemente estamos desenvolvendo relacionamentos com pessoas que vão prestar serviços com a gente, como os advogados que vão fazer nossos contratos, balanço que vai ter da organização. Falamos com empresas, com unidades encaminhadoras, com o serviço social. Então, temos que estabelecer relacionamento a todo momento com qualquer pessoa dentro e fora da organização. Isso é primordial e que faço no meu dia-a-dia.


Equipe de Relacionamento Internacional e o Serviço Social, braços direito e esquerdo da profissional. / Divulgação



Gecom: O ensino da Comunicação no meio acadêmico vem evoluindo, buscando acompanhar as novas tendências do consumidor e os avanços da mídias digitais. Como você tem observado esses resultados na entrada de novos profissionais de Comunicação no mercado, em especial no Terceiro Setor?


Lívia Cristina: Observo por dois viés. Tem os profissionais que estão saindo do meio acadêmico muito crus para a demanda do Terceiro Setor. Hoje, no Terceiro Setor, você não exerce somente uma função, mas várias funções. Você absorve alguns conhecimentos que são de áreas não necessariamente de comunicação, mas tem que ter o domínio, porque são poucos profissionais. Dentro do Terceiro Setor, geralmente são equipes muito enxutas, então os profissionais têm que saber um pouco de tudo. Eu observo isso com os estagiários que a gente tem na instituição. Alguns estagiários estão próximos de se formarem, mas ainda estão muito crus, indecisos de como é que atua no Terceiro Setor por ser tão dinâmico e pedir muito. Por outro lado, existem muitos profissionais que estão para se formar, com muita bagagem de aprendizagem. Conhecem muito sobre mídias digitais, redes sociais, contribuem com apresentações dinâmicas com um olhar jovial, pois é isso que o Terceiro Setor precisa, dessa renovação constante. Eles conseguem enfatizar informações, comunicações multicanais, capacidade de transformar mensagens que precisam ser comunicadas para os colaboradores de um forma e depois para um doador de outra forma parecida, mas com uma outra linguagem nos meios de comunicação. Eles conseguem se adaptar e entender essa mudança de linguagem, de conteúdos. Eu sempre falo, “dentro do Terceiro Setor, você tem que gostar, você tem que amar”, porque desempenhamos muitas funções com pouco recurso. Essa é a realidade de hoje em dia.

Acho muito positivo esses profissionais com essa adaptação do mercado de trabalho, com essa visão do ensino de comunicação. Estar nesse processo mercadológico é muito importante para o Terceiro Setor. Fora que não podemos esquecer da questão da humanização. São pessoas que gostam do Terceiro Setor e têm esse olhar mais humanizado. Uma comunicação com ética, clareza e sempre com respeito aos beneficiários. Eles adquirem durante o processo um olhar de comunicação estratégica. Isso, às vezes, é bem difícil de entender. Não são todos os profissionais que têm essa expertise, ela se adquire com o tempo. O Terceiro Setor exige muito do profissional, mas também é uma “mãe”. Ele ensina todos os dias, constrói esse profissional, esse indivíduo que está se consolidando.


Gecom: O que você sugere aos profissionais de Comunicação e aos recém-formados que tenham interesse em trabalhar no Terceiro Setor?


Lívia Cristina: Para os recém-formados, pode se fazer uma pesquisa, conhecer como é o Terceiro Setor, as dificuldades que a gente tem diariamente, pode ser fundamental para compreender a profundidade da natureza que são os desafios, os sabores, os dissabores e as oportunidades que o Terceiro Setor tem para oferecer a esses profissionais.

Antes de eu entrar na faculdade, já era voluntária. Acho que voluntariar e estagiar são maneiras eficazes de adquirir experiência e entender como é o dia-a-dia, as relevâncias, as estratégias, um olhar mais crítico. Você está indo para se doar, mas é um funcionário. É preciso entender até onde vai o meu conhecimento, até onde o Terceiro Setor pode contribuir comigo, até onde estou mudando e impactando a vida de pessoas que estão em vulnerabilidade social, econômica e psicológica. Tem que entender todo esse  processo.

O Terceiro Setor desenvolve e precisa de pessoas com uma comunicação mais abrangente, com uma variedade de atividades, um profissional com habilidades diversas. Os profissionais que eu vejo recém-formados dizem “ah, eu gosto do Terceiro Setor”, mas não entendem que precisam ter um olhar multissetorial. Não adianta falar só sobre saúde, mas também sobre educação, moradia, renda, cidadania, tem que entender o mecanismo que há por trás do Terceiro Setor, pois requer muito preparo, humanização do processo. Além de tudo isso, tem que demonstrar paixão. Porque a gente lida com pessoas, animais, causas ambientais. Tem que ser apaixonado. Porque vão ter dias que você vai estar sobrecarregado, dias que vai querer largar tudo, como em qualquer emprego, mas acaba lembrando para quem trabalha, para quem está direcionando todos os seus esforços. Isso muda o seu olhar, sua perspectiva e sua pretensão, seu plano de vida, porque você está fazendo parte de uma engrenagem maior, que é a mudança de vidas, mudança de pessoas, mudança de animais, mudança de cuidados.

É sempre bom criar uma rede de contatos, aprender sobre sustentabilidade financeira, que é um diferencial. Isso é um combo de uma dica para um bom profissional que está entrando agora no Terceiro Setor. E vá com toda a paixão do mundo, porque é isso que o Terceiro Setor precisa. Pessoas engajadas, pessoas apaixonadas conseguem mudar o mundo. Sempre busque o que você ama. Vá com “paixão nos olhos” como eu tenho há mais de cinco anos dentro do Terceiro Setor.




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terça-feira, 25 de julho de 2023

Como o audiovisual e a escrita criativa podem contribuir para a Comunicação no Terceiro Setor


Heliane Ferreira une o audiovisual e a escrita criativa como linguagens poderosas na comunicação. / Divulgação


"O audiovisual e a escrita criativa têm em comum o propósito de contar histórias e se comunicar com o público. Quando usados de forma inteligente e integrada, eles podem ampliar o alcance e a profundidade das mensagens transmitidas, tornando a comunicação mais envolvente e impactante." A afirmação é da historiadora e professora de Comunicação e Escrita Criativa, Heliane Ferreira, licenciada em História pela Universidade Estácio de Sá e  pós-graduada em História Antiga e Medieval pelo Núcleo de Estudos da Antiguidade na Universidade Federal do Rio de Janeiro (NEA-UERJ). Atua na produção de audiovisual, roteiros e escritas criativas e narrativas para documentário, além de ser consultora e apoiadora de causas e projetos sociais e professora de História, Filosofia, Sociologia e Escrita Criativa nos pré-vestibulares Solano Trindade e Projeto Social Mão Amiga em parceria com o projeto + NÓS. Ministra aulas de marketing digital no Instagram sobre posicionamento pessoal e empreendedorismo na transição de carreira.

Na entrevista a seguir, Heliane detalha mais sobre os dois processos de linguagem fundamentais para o sucesso da comunicação.

Gecom: Como surgiu seu interesse na especialização em um curso de audiovisual?

Heliane Ferreira: Durante o isolamento social, explorei diversas mídias para dar minhas aulas online, como filmes, séries, documentários e vídeos, descobrindo o impacto significativo que têm em nossas vidas. Essa percepção despertou meu interesse de aprender sobre a arte e a técnica por trás da produção audiovisual, como a escrita criativa e como ela é capaz de capturar a atenção das pessoas e transmitir mensagens poderosas. Ao criar meus próprios projetos de escrita criativa e audiovisuais, desde vídeos caseiros até animações simples, experimentei a alegria de entreter, inspirar e conectar com meus alunos e outras pessoas, mesmo à distância. Essa experiência revelou o poder do audiovisual para educar, conscientizar e unir comunidades, tornando-o mais do que apenas entretenimento.

Gecom: De que forma essa especialização pode contribuir para trabalhos profissionais no Terceiro setor?

Heliane Ferreira: O audiovisual é uma ferramenta valiosa no terceiro setor, contribuindo de várias maneiras. Ele sensibiliza e conscientiza o público sobre questões sociais importantes, captando recursos por meio de histórias impactantes.

Além disso, o audiovisual oferece educação e treinamento de forma envolvente, mobiliza a sociedade para ações sociais relevantes e aumenta a visibilidade e transparência das organizações. Também documenta suas ações ao longo do tempo, fortalecendo o trabalho profissional e promovendo a advocacia por mudanças sociais significativas. Sua capacidade de emocionar, informar e engajar é essencial para impulsionar o progresso do terceiro setor.

A pesquisadora e professora acredita que o audiovisual mobiliza a sociedade para ações sociais relevantes. / Divulgação



Gecom: Como o audiovisual e a escrita criativa se conectam na comunicação?

Heliane Ferreira: O audiovisual e a escrita criativa são duas formas distintas de expressão, mas que podem se conectar de maneira poderosa na comunicação.

Como narrativa visual, as duas linguagens têm o objetivo comum de contar histórias. No audiovisual, a narrativa é construída através de imagens em movimento, cenas, expressões faciais e música, enquanto na escrita criativa, é realizada através de palavras, descrições e diálogos; no complemento e aprofundamento, quando combinados, podem se complementar para enriquecer a experiência do público. Por exemplo, um vídeo pode ser acompanhado por legendas ou um texto explicativo que fornece detalhes adicionais à história, criando uma conexão mais profunda e enriquecendo a compreensão do espectador; quanto a criatividade e originalidade, através do uso inovador de imagens, sons, palavras e estilos, ambas as formas de expressão buscam se destacar e capturar a atenção do público de maneira única; na transmissão de conceitos complexos, em alguns casos, certos conceitos podem ser mais facilmente compreendidos através da combinação de elementos audiovisuais e escritos. Diagramas visuais ou animações podem ser usados para explicar ideias complexas, enquanto a escrita pode detalhar informações técnicas ou conceituais em maior profundidade;  na interação com o público, como o uso de vídeos interativos ou histórias em formato de jogo podem envolver os espectadores de forma ativa, enquanto narrativas escritas podem incentivar a reflexão e a discussão entre os leitores; e no apelo emocional mais forte, com a combinação de imagens e palavras. O audiovisual pode transmitir emoções através de música, tom de voz e expressões faciais, enquanto a escrita criativa pode evocar sentimentos poderosos através da escolha de palavras e descrições detalhadas.

Gecom: No Pré-Vestibular Comunitário Solano Trindade, você é professora voluntária de Comunicação e Escrita Criativa. Conte um pouco sobre a importância dessa aula para os vestibulandos.

Heliane Ferreira: Como professora voluntária de comunicação e escrita criativa em um pré-vestibular comunitário, a importância dessas aulas para os vestibulandos é significativa e abrangente.

Destaco os seguintes pontos.

Desenvolvimento das habilidades de comunicação: As aulas de comunicação ajudam os vestibulandos a aprimorar suas habilidades de expressão verbal, escrita e interpessoal. Isso é essencial para que eles possam articular suas ideias de forma clara, coesa e persuasiva nas redações e provas discursivas dos vestibulares.

Fortalecimento da escrita criativa: A escrita criativa permite que os estudantes explorem sua imaginação, desenvolvam sua criatividade e expressem seus pensamentos de forma original e envolvente. Essa habilidade não apenas beneficia suas redações, mas também pode fazer a diferença em questões discursivas e na produção de textos acadêmicos ao longo da vida universitária.

Preparação para a prova de redação: A prova de redação costuma ser uma etapa decisiva nos vestibulares. Com aulas focadas em escrita, os vestibulandos têm a oportunidade de praticar diferentes estilos de textos, aprender técnicas de argumentação e estruturação de parágrafos, tornando-os mais confiantes e preparados para enfrentar esse desafio.

Expressão da identidade e experiências pessoais: A escrita criativa permite que os alunos expressem suas experiências, valores e perspectivas únicas. Isso é valioso, pois possibilita que os vestibulandos se destaquem entre os candidatos e ofereçam uma visão autêntica de si mesmos, o que pode fazer diferença em processos seletivos competitivos.

Aprimoramento da leitura e interpretação: A escrita criativa muitas vezes está conectada à leitura de obras literárias e textos diversos. Isso estimula o hábito de leitura e aprimora a capacidade de interpretação de textos, habilidades cruciais para responder com precisão às questões de múltipla escolha nos vestibulares.

Redução do estresse e aumento da confiança: Aulas de comunicação e escrita criativa podem ajudar os vestibulandos a lidar com o estresse pré-vestibular, proporcionando um espaço de expressão e desenvolvimento pessoal. O aumento da confiança na escrita e na comunicação pode refletir positivamente em todas as etapas do processo seletivo.

As aulas de comunicação e escrita criativa têm um papel fundamental na preparação dos vestibulandos, fortalecendo suas habilidades de comunicação, escrita e interpretação, além de promover o desenvolvimento pessoal e a confiança necessárias para enfrentar os desafios dos vestibulares com mais segurança e sucesso.

Heliane encontrou no audiovisual uma valiosa ferramenta para educar, conscientizar e unir comunidades, muito mais do que apenas entretenimento. / Divulgação



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terça-feira, 20 de junho de 2023

Publicidade Social: um caminho estratégico da Comunicação para o Terceiro Setor

Taynara Cabral acredita no poder da publicidade para mobilizar pessoas para causas sociais. / Divulgação



Em março de 2020, a publicitária Taynara Cabral ministrou a "Oficina Mulheres do ontem, do hoje e do amanhã", em que as crianças eram estimuladas a conhecerem histórias de mulheres heroínas que as permitiram existir divididas em super guerreiras, super escritoras, super corajosas e as que possuem o poder da música, ao mesmo tempo que se divertiam e despertavam a criatividade.

Na Casa Fluminense, como coordenadora de Comunicação, Taynara é responsável pela aula "O papel da comunicação nos movimentos sociais e projetos de mobilização", no Curso de Políticas Públicas da ONG.

Esses dois exemplos práticos mencionados ilustram o saber de uma publicidade social, que Taynara coloca em prática em seus projetos voltados para a representatividade de forma estratégica.

Conforme o artigo "Publicidade Social e sua tipificação: uma metodologia de transformação social", apresentado pela doutora em Comunicação e Cultura, Patrícia Gonçalves Saldanha,

"Assim, a Publicidade Social retoma seu sentido etimológico “tornar algo público” quando convida a sociedade civil para participar efetivamente de todo ou de parte do processo, desde formulação estratégica, passando pelas fases de criação e produção das campanhas publicitárias, até a implementação das ações. Ressaltamos que a Publicidade Social já acontecia na prática cotidiana das comunidades, realizada por seus membros, com participação ou não de agentes externos, mirando sempre no benefício para a própria localidade, independentemente de validações acadêmicas", defende.

"A formação em publicidade é essencial para pensar estrategicamente formas inovadoras e criativas de comunicação", afirma Taynara.

Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal Fluminense (UFF), cursando marketing digital na Escola Britânica de Artes Criativas e Tecnologia, Taynara, atualmente, é coordenadora de comunicação da Casa Fluminense. Como artista visual, desenvolve projetos voltados para a representatividade no campo das artes e do design, buscando contribuir na projeção de outras possibilidades de existência, principalmente para corpos negros. Além de seus projetos autorais como o calendário Insubmissas Trajetórias Negras, Heroínas Negras para Colorir e o jogo da memória Sankofa, já desenvolveu trabalhos para Meta, Netflix, Globo, Laboratório Fantasma, Canal Brasil, Telecine e Avon.

Taynara Cabral reúne talento, habilidades e competências em Comunicação para o Terceiro Setor que você confere a seguir.

Gecom: Como a formação acadêmica na área de publicidade colabora para o profissionalismo da Comunicação no Terceiro Setor?

Taynara Cabral: A publicidade é uma ferramenta poderosa para mobilizar pessoas. Muitas das vezes se tem uma ideia dela restrita ao mercado, mas ela possui várias vertentes, como a publicidade social, que não tem como foco o lucro ou a venda, mas a defesa de causas importantes para a sociedade. Aplicada ao Terceiro Setor, ela tem o poder de trazer mais pessoas para pautas importantes, como a defesa dos direitos humanos, a participação social e a construção de novos imaginários.

A publicitária vê no atual formato das plataformas digitais um dos principais desafios para lecionar Comunicação nos cursos. / Divulgação



Gecom: Quais os desafios para lecionar Comunicação nas turmas em que você ministra o curso e quais as propostas sugeridas para resolver essas questões?

Taynara Cabral: O formato das plataformas de comunicação hoje é um dos principais desafios. Ao mesmo tempo em que as redes sociais e outras plataformas possibilitaram a democratização da produção de narrativas e conteúdos, elas também atendem a interesses privados. Logo, a difusão das causas nem sempre são valorizadas nesses espaços, além também do crescimento da circulação de conteúdos falsos e discurso de ódio.

Uma das propostas é construir conteúdos que dialoguem com o contexto em que ele está circulando e, também, em formatos valorizados pelas redes, como fotos e vídeos. Mobilizar pessoas da sua rede também é importante para que esse conteúdo seja entregue para mais pessoas.

Gecom: Conte um pouco sobre seu trabalho em Comunicação na Casa Fluminense.

Taynara Cabral: A Casa Fluminense é uma organização que trabalha em diversas frentes, como a mobilização, a informação e a incidência. Uma das nossas principais motivações ao comunicar é trazer mais pessoas para fazer parte da construção coletiva de ações e políticas públicas para garantia de direitos, a defesa da democracia e a construção de um Rio mais justo, sustentável e menos desigual.

A comunicação é ferramenta chave para que as pessoas se vejam nesse lugar de agente de mudança para construção do futuro que tanto sonhamos. Cada dado, pesquisa e publicação lançada tem a preocupação de contribuir com as ações de lideranças sociais em seus territórios.

Na Casa, buscamos sempre construir uma comunicação humanizada, que faça sentido e dialogue com a realidade das pessoas.


Instagram: @taycabral




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terça-feira, 23 de maio de 2023

Dia das Boas Ações realiza conexões entre ONGs e voluntários



"Hoje, para mim, é um momento muito importante do ano. A gente sempre tem ótimas experiências, ótimas parcerias, que são geradas a partir deste dia." A afirmação é da Ana Caroline, fundadora e presidente da ONG Educar +, que esteve presente na oitava edição do Dia das Boas Ações (DBA), junto com outras ONGs e empreendimentos sociais, no dia 21/05, no Parque Garota de Ipanema.

O evento mundial, que é organizado no Brasil pela ONG Atados, tem como objetivos promover a cultura do voluntariado, fortalecer o Terceiro Setor e promover a transformação social.

"É o momento que temos para celebrar com as pessoas que a gente ama, fazer uma superfesta com um monte de eventos, celebrações, oficinas e shows. Trazer um monte de crianças de vários lugares, ONGs e instituições que possam se conhecer, conversar e se fortalecer", conta Gabriel de Faro, da ONG Atados.

Saiba como foram as edições anteriores 2022, 2019, 2018, 2017 e 2016.

A presidente da Associação Brasileira de Pacientes de Câncer (Abrapac), Leda Mazzoni, participou pela primeira vez do evento e acredita que o DBA contribui para "conhecer novas pessoas, outras ONGs e ajudar um ao outro."

"A gente começou pequeno, foi crescendo, conseguindo ter mais organizações parceiras, mais organizações acreditando em nosso trabalho, organizações que vieram várias edições e que chegam aqui sentindo que são "donas do Dia das Boas Ações". Isso que é importante. O DBA é para as organizações e das organizações. Então, cada ano elas têm esse sentimento de mais pertencimento", explica Rosa Diaz, da ONG Atados.

O coletivo Geo sem Fome, coordenado por Lara Lima, conta que viu no DBA "uma oportunidade única de divulgação do nosso coletivo e de encontrar parcerias, porque aqui estamos conhecendo vários projetos."

A chance de aproveitar o evento como um meio de comunicação é, também, constatada por Ana Caroline, "além de me conectar com outros projetos, posso apresentar a Educar + para pessoas que talvez não tenham a oportunidade de conhecer através dos meios convencionais de comunicação", afirma.

"A nossa expectativa é criar pontes, criar redes, se abraçar, se reunir novamente. Encontrar pessoas que a gente ama", destaca Gabriel.

"É um sentimento de alegria, esperança, encontrar tanta gente boa, sempre projetos muito incríveis", reforça Rosa.

"Eu estou adorando esta feira. Espero que continuem fazendo mais vezes. Essa feira está sendo muito boa", conta bem animada Leda.

Então, aproveite toda essa animação descrita e conheça as ONGs que estiveram presentes na Feira de Projetos Sociais e o que as motivam a realizarem um trabalho voluntário.

Créditos das fotos: Anne Caroline Leopoldo.



































Todo dia é dia de realizar boas ações.



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terça-feira, 18 de abril de 2023

Jornalismo e Educação: uma oportunidade de aprendizagem

Tays Paulino acredita que uma comunicação feita de forma errada pode gerar muitos problemas. / Divulgação.


No dia 28 de abril comemora-se o Dia Mundial da Educação. Apesar da ONU considerar a data 24 de janeiro, como o Dia Internacional da Educação, há 23 anos, líderes de 164 países, incluindo o Brasil, se reuniram no Fórum Mundial da Educação, na cidade de Dakar, no Senegal, firmando compromissos, por meio da "Declaração de Dakar - Educação para Todos - 2000"  para garantir melhorias na educação que satisfaça suas necessidades básicas de aprendizagem, no melhor e mais pleno sentido do termo, e que inclua aprender a aprender, a fazer, a conviver e a ser. Ainda de acordo com o documento, uma educação que se destina a captar os talentos e potencial de cada pessoa e desenvolver a personalidade dos educandos para que possam melhorar suas vidas e transformar suas sociedades.

Nesta entrevista, convidamos a estudante de Jornalismo e assistente de secretaria no Pré-Vestibular Popular Construção, em Manguinhos, Tays Paulino, para nos contar sobre a importância, os desafios e as oportunidades dos estudos acadêmicos para uma profissionalização da Comunicação no Terceiro Setor.

Tays possui Licenciatura em Letras: Português e Árabe e é graduanda em Jornalismo, ambos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela é, também, estagiária do setor de marketing e comunicação na Prumo Logística.

Confira a entrevista, a seguir.

Gecom: O que a incentivou a estudar Jornalismo?

Tays Paulino: Sempre quis fazer jornalismo e nunca percebi claramente. Na verdade, demorei muito tempo para saber. Lembro que, quando era criança, adorava brincar que estava apresentando um programa de TV e que sempre gostei muito de escrever também, de lidar com as palavras. Inclusive, com 10 anos participei de um concurso de leitura na escola e ganhei a medalha de primeiro lugar. Outra coisa que gostava muito era de criar várias histórias na minha cabeça e, com certeza, isso já era um sinal de proximidade com a área da comunicação. 

Depois, comecei a gostar do universo do audiovisual. Passei a "cobrir eventos", como aniversários, casamentos e assim fui me tornando a pessoa responsável por isso nas festas de amigos mais próximos em que estava presente  (tirava fotos, fazia aqueles vídeos de homenagem, etc). Esses foram os sinais que se apresentaram e eu ainda não tinha percebido. Quando entrei no Ensino Médio, fui fazer Técnico em Administração. No começo fiquei muito atraída por esse campo da Administração, mas depois comecei a pensar em cursar História, Direito e então cheguei no Jornalismo. Fiquei numa dúvida cruel entre os cursos na época do vestibular, mas acabou que não consegui nota para ingressar em uma universidade pública, que era o meu objetivo. Então, resolvi estudar algo que fosse o mais parecido possível e, para mim, esse curso era o de Letras. Fiz pensando no Jornalismo e com todas as pesquisas acadêmicas voltadas para ele. Depois que terminei (após a Licenciatura em Letras), fiz o vestibular novamente para Jornalismo e "cá estou".


Gecom: Em sua opinião, como a formação acadêmica na área de Jornalismo pode colaborar para o profissionalismo da Comunicação no Terceiro Setor?

Tays Paulino: Acredito que a formação seja essencial para qualquer área em que você vá trabalhar com comunicação e com pessoas - uma formação voltada para a Comunicação em si ou de Jornalismo mesmo, falando especificamente da área. E o Terceiro Setor, assim como os outros, é muito importante e precisa ter a mesma relevância que os outros setores têm. Então,  creio que pensar numa profissionalização dessa área seja algo muito válido; ter um olhar diferenciado sobre as pessoas que trabalham com o voluntariado, com o social, e entender que uma formação, em qualquer meio, precisa ser valorizada. Principalmente na área de Comunicação, porque, se ela for feita de uma forma errada, pode gerar muitos problemas. Por isso, é preciso pensar nisso com muita responsabilidade. Inclusive, hoje a gente vive a não exigência do diploma e isso precariza muito a área. Quando a gente fala do Terceiro Setor, talvez precarize mais ainda, mas acredito que os gestores das áreas sociais devem valorizar e olhar para isso não com uma ideia de exclusão, mas com a proposta de ter uma pessoa capacitada e preparada para exercer aquela função.

Tays Paulino acredita que uma comunicação feita de forma errada pode gerar muitos problemas. / Divulgação.

Gecom: Quais os desafios acadêmicos você encontra no Jornalismo quando se fala no Terceiro Setor e o quê sugere para resolver essas questões?

Tays Paulino: Acredito que o maior desafio seja ter mais pessoas dispostas a fazer trabalhos no Terceiro Setor. E como a Comunicação, o Jornalismo em si, está vivendo esse período de grande desvalorização, com salários muito baixos, creio que outros setores acabem absorvendo mais os profissionais. Hoje temos mil exigências sobre você ter que ter habilidades de outras áreas, muitas vezes de um designer, de um publicitário, para exercer um único cargo, e isso acaba refletindo no Terceiro Setor em termos de remuneração. Em relação à graduação propriamente dita, penso que falta um olhar maior para a questão social. Você não encontra, por exemplo, disciplinas que falem de Comunicação no Terceiro Setor, sobre jornalismo independente, jornalismo voltado para as áreas sociais. Você tem aquelas grades mais comuns, mas você não encontra disciplinas um pouco mais específicas. São temas que têm dificuldade para chegar na Academia. E, para mudar, é preciso levar esses temas para lá. Colocar, por exemplo, matérias sobre jornalismo comunitário. Não estou dizendo que as faculdades não oferecem, não posso falar por todas, mas, de maneira geral, acredito que não sejam temas tão comuns.

Na UFRJ, neste semestre, abriu uma disciplina muito interessante sobre jornalismo de acessibilidade. Não consegui horário pra fazer, mas achei muito interessante a universidade trabalhar esse conceito de "jornalismo para todos". Para mim, é esse o caminho. É preciso oferecer formação. Além de, claro, o próprio profissional buscar essas especializações alternativas.

Gecom: Conte sobre seu trabalho no Pré-Vestibular Popular Construção, em Manguinhos.

Tays Paulino: Eu trabalho no Pré-Vestibular Popular Construção. Estou desde maio do ano passado. Mês que vem faz um ano e tem sido muito recompensador. Sou ex-aluna do Pré. Em 2013, entrei no segundo semestre e fiquei só de agosto a dezembro. Foi uma experiência tão legal, tão enriquecedora. Eu senti que, apesar do pouco tempo que fiquei, consegui aprender muito. Os professores são muito engajados. Um ambiente legal, mesmo.  Nunca esqueci disso. Acabei entrando no Pré, assumindo uma vaga na secretaria para trabalhar com as questões mais burocráticas e dando um apoio aos alunos, quase dez anos depois de ter passado pelo Pré. Hoje, eu faço esse apoio aos alunos. Por exemplo, vai ter uma prova da Uerj, vai ter inscrição, mobilizamos os alunos, olhando documentação, explicando para eles o que tem que fazer, quais documentos, olhando questões de presença, se eles estão lá ou não estão.


Tays durante uma visita de campo com a turma do Pré-Vestibular Construção - 2022. / Divulgação.

Já em relação a Comunicação em si, acabei assumindo as redes sociais em maio do ano passado. Quando eu entrei, o Instagram tinha mais ou menos 750 seguidores. Achei uma rede muito potente, que não podia ficar parada, e aí surgiram ideias de como trabalhar e o que trabalhar em um um Pré-vestibular Social. Inclusive a minha formação em Letras me ajudou muito e minha nova formação (em Jornalismo) também - na parte de pensar o que comunicar, como comunicar e qual a melhor forma de engajar os alunos. Comecei a planejar temas que fossem da realidade deles. Isso ia desde assuntos que estavam rolando nas aulas, dicas de temas de temas que eles viram nas disciplinas, de filmes que poderiam ajudar, e temas relacionados ao vestibular até passeios gratuitos, acesso a museus, coisas que poderiam trazer enriquecimento cultural, porque a sala de aula está em todos os lugares e você precisa ter uma formação sociocultural. Inclusive, o Enem pede muito isso, uma formação sociocultural. E como você vai ter essa formação? Acessando lugares, conhecendo e tendo uma formação além da relação professor x sala de aula x caderno x internet.. Expandindo. Então  trouxe esses temas numa linguagem que eles conseguissem se identificar, se engajar e que conecta-se com eles.

Com minha formação em Letras, consegui formular como que iria trazer um texto legal, forte e correto, além de conseguir pensar em como entraria nesse universo da Educação. Já com o Jornalismo, entendi as estratégias de como alcançar esse público, trazer uma notícia consistente.

Hoje, a nossa rede social cresceu muito. Ela tem 1.060 seguidores, só no Instagram. Eu considero um grande número, comparando com um ano atrás. Um grande avanço. E fico muito feliz por ter conseguido isso. Claro, contando com o apoio de toda equipe; da minha colega que divide a secretaria comigo. Todo mundo ajuda. Outra coisa que é bacana também é a a liberdade que consegui de movimentar, e criar uma identidade, fazer uma coisa de um jeito que eu achava que funcionaria - e todo mundo comprou a ideia. O que mais gosto nisso tudo é de trazer essa sensação de pertencimento e de engajamento do Pré. A gente está fazendo um trabalho com educação forte, potente. O Pré tem 21 anos. É muita história. Estamos no Instagram, no Facebook e vamos cada vez mais longe porque a educação tem que chegar em todos os lugares possíveis, de todas as formas. E se a rede social é uma ferramenta para isso, por que não utilizá-la?

Facebook: Tays Paulino

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