sábado, 25 de outubro de 2025

Jornalismo comunitário: o valor do trabalho em equipe

Equipe de jornalistas do jornal O Cidadão. Da esquerda para à direita, Ana Cristina, Christóvão Carvalho e Carolina Vaz. / Divulgação

“O jornal comunitário é muito mais do que um órgão de informação; é um instrumento de mobilização. É ele que vai estabelecer a verdadeira comunicação entre os membros da comunidade, o debate de seus problemas e a participação de todos nas soluções a serem dadas.” A afirmação é das autoras Ana Arruda Callado e Maria Ignez Duque Estrada, no livro “Como se faz um jornal comunitário”. A construção de um jornal comunitário envolve um trabalho em equipe onde as funções devem ser divididas basicamente em redação, fotografia e diagramação, além da revisão e da arte. Conforme a estrutura do jornal e dos recursos financeiros e materiais disponíveis, outras funções podem ser subdivididas e/ou acrescentadas. Ou seja, a sua produção e confecção podem variar bastante, mas ainda assim, alguns ingredientes são indispensáveis, como planejamento, organização e colaboração entre os comunicadores. 


Na Maré, o jornal O Cidadão é um dos exemplos em que o trabalho em equipe funciona desde quando era impresso e, hoje, como formato online. Sob a coordenação da jornalista Carolina Vaz, os jornalistas Christóvão Carvalho e Ana Cristina formam o time da mídia comunitária mareense.

Confira a entrevista.


Gecom: O que despertou seu interesse pelo jornalismo e o levou a seguir essa profissão dentro da comunicação comunitária?


Ana Cristina: Lá pelos meus 13 anos, já gostava muito de ler e escrever histórias. Em 2011, ingressei na primeira turma do Teatro em Comunidades, realizado no Centro de Artes da Maré (CAM). No ano seguinte, fiz parte de um grupo de Teatro do Oprimido e na peça que montamos eu interpretava uma apresentadora de televisão e uma repórter de campo. Na época, eu já estava pensando no que poderia fazer na faculdade, e uma das opções era Letras, mas depois do Centro de Teatro do Oprimido (CTO) eu comecei a abrir os olhos para o jornalismo.


Lembro que uma vez, uma estudante de jornalismo quis entrevistar nosso grupo para um trabalho de faculdade e eu fui uma das pessoas que falou com ela. Quando me disse que eu falava bem e que deveria tentar o curso, foi uma surpresa pra mim, porque sempre fui extremamente tímida. 


É aí que eu começo a pesquisar sobre o curso e percebo que ele era o ideal. Porque cresci fazendo coisas dentro da comunidade, sentia que a pessoa que eu vinha me tornando, as coisas que aprendia e a consciência social que formava, eram graças aos projetos dentro da favela, seja o curso preparatório, o pré-vestibular, ou os grupos de teatro. E aí, eu sabia que não queria ser jornalista para estar na grande mídia, eu queria ser jornalista para escrever sobre a galera da favela. Eu queria retribuir o que havia recebido da favela. 


No segundo semestre de 2017, ingressei na faculdade e me formei na segunda metade de 2021. Passei um tempo escrevendo matérias para o Portal DaFavela e, em fevereiro de 2022, ingressei no Jornal O Cidadão, onde atuo desde então.


Christóvão: Sempre fui muito comunicativo. Minha mãe conta que eu nem tinha dentes, mas já falava pelos cotovelos. Nunca fui tímido. Nunca tive problemas em me comunicar, de maneira alguma. Pelo contrário, a maior reclamação que meus pais recebiam da escola é que eu conversava demais, que fazia minhas tarefas e atrasava os outros colegas, conversando. Em casa, eu vivia lendo Turma da Mônica. Fui crescendo, e aderindo aos livros. Nos trabalhos com apresentação na escola, sempre fui muito bem. Sempre tive essa sagacidade comunicativa comigo.


Durante o ensino médio, mobilizava todas as turmas em projetos que incentivavam a nossa união, organização e criatividade dentro do tema proposto em cada ano letivo. No caso do terceiro ano, além desse projeto, os alunos deviam escolher uma profissão que gostariam de se graduar. Eu não pensava muito sobre isso, mas comecei a pesquisar profissões que fossem compatíveis com o meu perfil. No fim, entre fazer Letras e Jornalismo, eu preferi ser "profissional em fofoca". E foi muito bacana, porque compramos camisetas personalizadas com os nossos nomes e profissões para usar no último bimestre. Tenho a camiseta até hoje. Tudo começou antes mesmo da graduação.


Assim, logo no ano seguinte, aproveitei que uma colega da minha turma do colégio estava se matriculando na Unisuam e fui também. Fiz o vestibular, consegui um desconto na mensalidade e comecei assim. Inclusive, foi lá que conheci a Ana Cristina.


Conforme fui avançando, percebi que essa era a melhor e a mais arriscada profissão que eu poderia seguir, na minha opinião. Era a melhor, porque era onde queria estar. Era arriscada, porque nem todo mundo consegue seguir na profissão. O mercado é bastante fechado, bem amarrado. Tanto que não foi imediatamente após a faculdade que consegui minha oportunidade. 


Nunca tive proximidade com qualquer produção jornalística na Maré, mas quando estava me formando, nutria uma esperança de um dia trabalhar para a minha base. Era um desejo que tinha, porque sempre gostei de ver "os nossos" nas notícias, nos representando e conquistando qualquer coisa aqui de dentro ou lá fora.


No começo deste ano, a Ana me mandou mensagem dizendo que o jornal O Cidadão, havia aberto uma vaga e me indicou para o processo seletivo. Fui, conheci o Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (Ceasm), a Carolina Vaz (coordenadora do jornal) e o Luiz Antônio (sócio fundador e diretor do Ceasm) e, felizmente, eles me aprovaram e contam comigo.


Hoje, divido meu dia entre o jornal e o meu emprego CLT. É corrido, mas consigo me dedicar e estou muito feliz em estar aqui hoje. O Cidadão é uma ponte que transmite nosso real valor a todos os leitores do território e fora dele. Quem quer abrir a mente, também procura ver por perspectivas que realmente valorizam nossa identidade.


A jornalista e fotógrafa Ana Cristina coloca em prática sua vivência na favela da Maré para realizar seu trabalho no jornal O Cidadão. / Divulgação


Gecom: Você trabalha em parceria com outros jornalistas dentro do jornal O Cidadão. Como vocês dividem responsabilidades e colaboram para produzir conteúdo de qualidade?

Ana Cristina: Desde que comecei, a equipe do Cidadão basicamente se resume a três pessoas. É uma equipe bem pequena para uma demanda tão grande, mas gosto de dizer que o nosso trabalho flui porque tá todo mundo empenhado em ajudar quando o outro precisa. É um trabalho coletivo. No jornal, realizo entrevistas, escrevo matérias e também atuo como fotógrafa. Com isso, também realizo as edições de foto e faço filmagens e edições de vídeo das reportagens do jornal. Normalmente, fico com a tarefa da edição de fotos e vídeos, mas nas demais atividades a gente se divide. Então, contamos muito com reuniões de pauta para definir os nossos trabalhos e com quem vai ficar cada tarefa, por exemplo.


Christóvão: Sendo a Maré dividida entre 15 e 17 favelas, não é fácil manter funções fixas com uma equipe de três pessoas. Por isso, nosso segredo é manter uma versatilidade para produzir com frequência. Só em nosso site produzimos, em média, quatro notícias (bem elaboradas) por mês. Juntando com posts do Instagram, temos uma produção média de 8 conteúdos por mês.


Algo que faz toda a diferença é o entrosamento que temos. Nas reuniões de pauta, sabemos ouvir, dar opinião, trazer sugestões e traçar objetivos, com muita maturidade. Também mantemos uma comunicação constante pelo WhatsApp. E, por sermos versáteis, acabamos conseguindo nos adaptar às situações necessárias. Com cada um do seu próprio jeito, conseguimos nos complementar. Exige interesse e conhecimento em todos os assuntos que nos propomos a abordar, mas somos recompensados com um bom ritmo de postagens para manter a população bem informada sobre o nosso lugar, com uma boa variedade de assuntos que – pensamos nós, o mareense realmente gostaria de ler.


Repórter Christóvão Carvalho destaca o entrosamento da equipe no jornal para realizar um trabalho de qualidade na informação para os moradores do Complexo da Maré. / Divulgação

Gecom: Na sua opinião, como um jornal comunitário pode influenciar positivamente uma comunidade?


Ana Cristina: O jornal comunitário não contribui apenas com a comunidade, mas com quem vive nela. Quando a gente fala sobre projetos, eventos na região, ações sociais, direitos ou demais situações como um problema de água, luz ou a troca do nome de ruas, como aconteceu recentemente na Maré, a gente contribui com a comunidade.


Mas quando a gente fala de um feito importante de um morador ou moradora, quando a gente dá o destaque merecido para as suas narrativas, a gente contribui com a questão da valorização. 


Eu acho que o jornal comunitário tem muito desse papel. Não é simplesmente facilitar o acesso à informação nos territórios de favela, ele contribui incentivando e valorizando essas pessoas que formam a comunidade. Contribui contando e preservando histórias e memórias que a grande mídia invisibiliza.


Christóvão: O jornal comunitário explora notícias relevantes para a base do lugar. Além de divulgar trabalhos, dar voz, ser um canal de diálogo, cobrar direitos, levar informação e evidenciar talentos e profissionais do nosso território, o propósito deste trabalho também é de construir uma memória, muitas vezes, inexplorada pela mídia tradicional. Queremos criar consciência crítica, ajudar a comunidade a se organizar e olhar coletivamente para si.


Em questão de favela, enquanto os grandes veículos ganham mais audiência falando de violência, o jornal comunitário constrói memória e conta histórias que serão lembradas. Lá na frente, as próximas gerações de mareense poderão procurar e encontrar registros do lugar em que vivem. Isso constrói identidade, uma geração orgulhosa de suas raízes que, aliás, é muito forte já hoje. Costumamos utilizar muito a expressão "mareense" no jornal. É um adjetivo de orgulho por pertencer a essa favela. Quem é daqui, sabe olhar pelo prisma que evidencia e valoriza o que é nosso.


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segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Como a comunicação audiovisual inclusiva pode fazer a diferença no Terceiro Setor


A jornalista e produtora audiovisual e cultural Thaís Ribeiro participou da criação da TV INES, o primeiro canal brasileiro produzido em Libras para a comunidade surda. / Divulgação



O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2022) registra 14,4 milhões de pessoas com deficiência no país, sendo 2,6 milhões com dificuldades para ouvir. Estima-se que em 2025, cerca de 10 milhões de pessoas no Brasil tenham algum tipo de deficiência auditiva. Esses dados demonstram que ações efetivas de promoção da acessibilidade no audiovisual se tornam essenciais para que essas mesmas pessoas sintam-se incluídas na sociedade.


Entre maio e junho, a produtora audiovisual e cultural Thaís Ribeiro organizou a oficina Acessibilidade e Inclusão no Audiovisual na cidade do Rio e de Niterói, em parceria com a antropóloga e coordenadora pedagógica do projeto Bianca Arruda, para promover a reflexão e o debate sobre a necessidade de tornar os conteúdos audiovisuais mais acessíveis, bem como ampliar a representação de pessoas com deficiência (PCD) tanto nas telas quanto na produção de seus conteúdos.


Na entrevista a seguir, Thaís, que é formada em jornalismo e criadora da Luzidio Produções, conta como o audiovisual pode ser trabalhado no Terceiro Setor para promover uma comunicação inclusiva.


Gecom: Qual foi o caminho que te levou a trabalhar com a comunicação inclusiva para a comunidade surda?


Thaís Ribeiro: Sou formada em jornalismo, mas sempre trabalhei como produtora audiovisual. Trabalhei na TV Brasil por muitos anos e depois fui trabalhar na TV INES - o primeiro canal brasileiro para surdos, totalmente produzido em Libras, pelo Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES). Também fiz trabalhos freelancers para a TV Escola, uma empresa de audiobook, uma produtora de recursos de acessibilidade e para a TV Cultura, onde roteirizei videoaulas para alunos surdos da rede municipal de educação de São Paulo. Atuei a maior parte da minha carreira como produtora, mas a partir de 2019 comecei a atuar também como assistente de direção, roteirista e produtora cultural.


Quando eu trabalhava na Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), que era a responsável por gerir a TV Brasil, me chamaram para fazer parte da equipe do projeto da TV INES. Daí ele deu certo e cresceu bastante dentro da comunidade surda, estreando no dia 24 de abril de 2023, dia da Lei de Libras. A TV INES ficou no ar por oito anos e, infelizmente, acabou em 2021. A TV do instituto me introduziu no universo da comunicação inclusiva e, certamente, mudou meu olhar.


Gecom: De que forma a comunicação inclusiva pode contribuir para os resultados de uma ONG?


Thaís Ribeiro: A comunicação inclusiva é fundamental em todos os aspectos na sociedade. Além disso, a comunicação inclusiva amplia o público que pode acessar e interagir com as atividades da organização, criando mais oportunidades de engajamento, voluntariado e captação de recursos. Outro ponto importante é que ela ajuda a construir vínculos mais sólidos com as comunidades atendidas, uma vez que estas se veem representadas e respeitadas, o que gera maior participação social.


Ao adotar práticas inclusivas, seja no uso de linguagem acessível, na produção de materiais em diferentes formatos (Libras, audiodescrição, legendas), a ONG promove a valorização da diversidade cultural e a inclusão de narrativas que representem grupos historicamente marginalizados. Dessa forma, a organização demonstra coerência entre discurso e prática, consolidando sua credibilidade diante de parceiros, financiadores e beneficiários. Ou seja, investir em comunicação inclusiva é não apenas uma questão ética, mas também estratégica, pois aumenta a efetividade da missão da ONG e favorece resultados mais consistentes.



O ciclo de palestras e oficinas sobre acessibilidade no audiovisual promoveu aprendizados e reflexões aos produtores audiovisuais e culturais. / Crédito: Márcio Biriba



Gecom: Em sua opinião, quais são os desafios da comunicação inclusiva no terceiro setor e quais seriam as soluções para resolvê-los?


Thaís Ribeiro: Em primeiro lugar, é fundamental investir em acessibilidade atitudinal com o intuito de sensibilizar e ampliar o repertório sobre diversidade e inclusão junto às equipes que atuam no terceiro setor, especialmente no tocante à população com deficiência. Acredito que outros debates já estejam bem evoluídos, como os debates étnico-raciais e de gênero, porém quando falamos em acessibilidade e inclusão, ainda parecemos ter um longo caminho a percorrer. E, com certeza, o primeiro passo é conviver com pessoas com deficiência, dar espaço para que elas próprias possam falar sobre si, sobre as faltas e as potências que cada um carrega. Além disso, é premente investir em capacitação de profissionais que atuem nessa área; além de fomentar um mercado de trabalho - o que é essencial para uma verdadeira autonomia -, amplia-se o acesso e o convívio de pessoas com e sem deficiência, promovendo um verdadeiro compartilhamento do espaço e da comunidade.


Entretanto, muitas vezes as ações de acessibilidade não estão inclusas no orçamento das organizações, que geralmente também enfrentam dificuldades na captação de recursos para manter suas atividades finais. Acredito que o primeiro desafio nesse caso seja entender que a inclusão e as atividades necessárias para que ela se concretize devam ser pensadas como elemento fundamental no projeto, desde sua concepção e não apenas ao final do processo (como algumas vezes acontecem) ou, ainda pior, apenas quando solicitadas. Acredito que um caminho necessário seja incluir pessoas com deficiência nas equipes atuantes da ONG, com participação nas tomadas de decisão da organização. Investir em diversidade e equidade na própria equipe assegura que a inclusão esteja também no centro da missão da ONG, produzindo um ambiente e projetos menos assimétricos nesse quesito.





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sexta-feira, 25 de julho de 2025

Benefícios do social media na comunicação das ONGs

A social media Milena Lopes acredita na força das redes sociais, aliada à comunicação, para educar e conscientizar as pessoas sobre as causas que uma ONG defende. / Divulgação 



O uso das mídias sociais pelas ONGs é fundamental para a visibilidade e comunicação com o público e potenciais apoiadores e patrocinadores. No entanto, nem todas as organizações do Terceiro Setor têm a oportunidade de ter um profissional para gerir suas mídias sociais e, consequentemente, acabam trabalhando no amadorismo.


Milena Lopes é social media, analista de mídia e fotógrafa do Instituto Educar+, onde aprendeu e desenvolveu profissionalmente o trabalho com as redes sociais, abrindo portas, também, no mercado de agência de comunicação. 

Na entrevista abaixo, você vai conferir um pouco da trajetória da Milena no Instituto Educar+ e recomendações importantes para trabalhar como social media e enfrentar os desafios digitais no Terceiro Setor.


Gecom: Conte como surgiu o interesse em trabalhar como social media?


Milena Lopes: Comecei minha jornada na fotografia em 2019, o que despertou meu interesse e habilidades na área de comunicação visual e digital. Em janeiro de 2024, essa experiência me levou a atuar como Social Media no Instituto Educar+, onde desenvolvi estratégias de conteúdo e gestão de redes sociais.

Durante minha atuação, participei do curso de Social Media oferecido pelo próprio Instituto Educar+, onde aprofundei meus conhecimentos em marketing digital, produção de conteúdo e análise de métricas. Ao final do curso, fui selecionada em um processo seletivo para integrar a equipe da Sherlock Communications, onde atuo desde dezembro de 2024, colaborando com a agência tendo o foco em projetos voltados para o terceiro setor.



Gecom: Como você se tornou responsável pelas mídias sociais do Instituto Educar+?


Milena Lopes: Inicialmente, meu trabalho estava focado na produção de fotos, vídeos e no apoio às postagens. Este ano, surgiu a oportunidade de assumir a função de gerir as redes sociais do Instituto Educar+, passando a coordenar o conteúdo, as publicações e o acompanhamento dos resultados.


Milena junto com a equipe do Instituto Educar+. / Divulgação



Gecom: O uso das mídias sociais é indispensável para a comunicação de uma ONG. Sendo assim, de que forma elas contribuem com a comunicação para alcançar os resultados de uma ONG?


Milena Lopes: As mídias sociais são grandes aliadas das ONGs porque aproximam as pessoas com a causa e tornam a comunicação mais acessível e verdadeira. As mídias sociais são essenciais para a comunicação de uma ONG porque nos ajudam a mostrar o dia a dia da instituição de forma transparente e próxima. São indispensáveis para conectar o público com o que fazemos, dar visibilidade aos nossos projetos e reforçar a prestação de contas com apoiadores.

Além disso, elas são uma ferramenta poderosa para educar e conscientizar sobre as causas que defendemos, alcançando pessoas que se identificam com a missão. Acredito que essa conexão fortalece a confiança, amplia o impacto e contribui diretamente para os resultados da organização.


Além de cuidar das redes sociais, Milena também trabalha com fotografia. / Divulgação



Gecom: Quais dicas você recomenda para quem está começando a trabalhar como social media nas ONGs?


Milena Lopes: É importante estar perto da ONG e, antes de tentar conscientizar sobre a causa, sentir que você faz parte dela de verdade. Trabalhar com algo que você acredita e que faz sentido para você ajuda a passar uma mensagem mais verdadeira e próxima.

Também vale ficar de olho em como o público reage, seja nos comentários, nas mensagens e no que gera mais engajamento. Isso ajuda a criar conteúdos mais certeiros e humanos.

Também recomendo manter uma rotina organizada, com um calendário de postagens, planejamento de campanhas e uma atenção especial à prestação de contas, que é uma parte essencial na comunicação das ONGs.


Sobre o Instituto Educar+

O Instituto Educar+ é uma organização social que nasceu em 2017 com a missão de democratizar o acesso à leitura. Iniciou com um pequeno acervo de livros e, ao longo dos anos, cresceu para se tornar uma comunidade de sonhadores comprometidos com a transformação social através da educação. Tem como missão expandir a perspectiva de mundo de crianças, adolescentes e jovens no Complexo do Chapadão, Rio de Janeiro, utilizando educação, cultura e tecnologia como ferramentas para mudança.

https://institutoeducarmais.org/




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terça-feira, 24 de junho de 2025

A importância da Publicidade na Comunicação das ONGs

Marting Draghi, coordenador de Comunicação e Marketing da Agência do Bem, ao lado do Prêmio Melhores ONGs - 2024. / Arquivo pessoal



Criar campanhas de impacto positivo na sociedade, divulgando as causas sociais de uma ONG, exige planejamento e orçamento para que a mensagem alcance o público e, assim, gerar resultados eficazes. Algumas organizações do Terceiro Setor trabalham com recursos escassos ou no amadorismo e acabam não obtendo o resultado desejado. Um trabalho publicitário bem feito atrai voluntários, aumenta as doações, amplia o reconhecimento de uma ONG, fideliza seus patrocinadores atuais e conquistar novos apoiadores.


Martin Draghi, formado em Propaganda e Marketing e coordenador de Comunicação e Marketing da Agência do Bem, nos conta sobre a importância da publicidade nas ONGs e compartilha sua experiência na entrevista a seguir. Confira. 


Gecom: O que te motivou a se formar em Publicidade e a trabalhar no Terceiro Setor?


Martin Draghi: Decidi cursar Publicidade porque queria trabalhar com criatividade, com direção artística, com campanhas de marketing e entender um pouco melhor como funciona a mente do consumidor. Com o avanço da faculdade, fui me envolvendo com trabalhos voluntários de organizações do terceiro setor, como a ONG TETO, o projeto Ruas, o Atados, a Onda Solidária e outras, e percebi que poderia aplicar meus conhecimentos de publicidade a causas que acreditava que eram importantes a serem olhadas com atenção e com um olhar técnico e profissional.

As experiências que tive como voluntário foram fundamentais para tomar a decisão de redirecionar rotas e construir uma carreira no terceiro setor.


Gecom: Como você passou a fazer parte da Agência do Bem?


Martin Draghi: Fui convidado a integrar a Agência do Bem pelo fundador Alan Maia, com quem já havia colaborado em outras iniciativas profissionais e mantinha contato desde o período da faculdade. Na época, meu Trabalho de Conclusão de Curso foi sobre uma organização social localizada em Botafogo, e meu orientador sugeriu que eu conversasse com o Alan para compreender mais a fundo as dinâmicas do terceiro setor.

Essa conexão se manteve ao longo dos anos e, em 2022, recebi o convite para assumir a coordenação de comunicação e marketing da Agência do Bem.


Gecom: De que forma a comunicação contribui para os resultados da Agência do Bem?


Martin Draghi: Uma organização do terceiro setor precisa prestar contas à sociedade das atividades que desenvolve. Nesse sentido, a publicidade é essencial para dialogar com todos os públicos de interesse da Agência do Bem. No caso das comunidades em que estamos inseridos, temos ações tanto no ambiente digital quanto no offline, para que os responsáveis daquele território saibam da existência do projeto e matriculem seus filhos nos polos de ensino. Na outra ponta, temos os patrocinadores, que precisam ser informados sobre o andamento do projeto com materiais de prestação de contas e de atividades. Ter um material bem ilustrado, que apresente os resultados de impacto social do projeto, é importantíssimo para que a organização consiga fidelizar seus patrocinadores atuais e também conquistar novos apoiadores.

No caso da equipe interna, ilustramos diversos materiais pedagógicos para que os professores consigam assimilar com maior facilidade as atividades que serão desenvolvidas em sala de aula. Ou seja, a comunicação é um pilar essencial para que a Agência do Bem alcance seus objetivos, com foco na transparência, no engajamento do público atendido e na manutenção/atração de patrocinadores.


Gecom: Em sua opinião, quais são os desafios da Comunicação no Terceiro Setor e quais seriam as soluções para resolvê-los?


Martin Draghi: Um dos principais desafios da comunicação no terceiro setor é a escassez de recursos, aliada à ausência de um plano estruturado a ser seguido. Muitas organizações atuam com equipes enxutas, com poucos profissionais dedicados exclusivamente à comunicação, o que dificulta a criação e a execução de estratégias consistentes e contínuas. Além disso, é comum que os recursos disponíveis sejam direcionados prioritariamente para a realização das atividades-fim dos projetos, o que exige do gestor de comunicação uma definição clara de prioridades, focando em ações que tragam o maior retorno. 

Uma solução possível está na qualificação dos membros da equipe ou na valorização de um profissional responsável pela comunicação, que, muitas vezes, inicia seu trabalho como voluntário. É comum que, mesmo apresentando bons resultados, esse voluntário não seja efetivado devido ao receio de alocar recursos em uma área que não é diretamente ligada à atividade-fim da organização. No entanto, é importante entender que a comunicação é uma área estratégica para qualquer organização social que preze pela transparência das suas atividades. 

Esse mesmo princípio se aplica à questão da escassez de recursos. É fundamental que as organizações invistam em formação e capacitação para compreender e acessar as diversas fontes de financiamento disponíveis no Brasil, como por exemplo, as leis de incentivo à cultura, doações de pessoas físicas, o financiamento coletivo, os editais públicos e privados, os convênios com o poder público, as emendas parlamentares, entre outras possibilidades. Explorar essas alternativas de forma é essencial para garantir a sustentabilidade financeira das organizações do terceiro setor.


Sobre a Agência do Bem

A Agência do Bem é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), sem fins lucrativos e não possui vinculação religiosa ou partidária. Sua missão é promover o desenvolvimento humano visando a cidadania plena de populações de baixa renda, através da educação, de forma transparente e sustentável. Eleita uma das melhores ONGs do Brasil em 2024 (Prêmio Melhores ONGs). Destacada como a 22° Melhor ONG do Brasil em ranking internacional (2023) elaborado pela organização suíça, TheDotGood. Possui a certificação ISO 9001, um reconhecimento internacional que atesta a qualidade dos sistemas de gestão de uma organização.

https://www.agenciadobem.org.br/

 







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domingo, 25 de maio de 2025

O impacto social da Comunicação nas ONGs

Maria Gomes é formada em Relações Públicas e líder administrativa do Instituto Sempre em Movimento. / Arquivo pessoal


Fortalecer a imagem da ONG, engajar o público, contribuir para a captação de recursos, patrocínios e doações, além de construir e fortalecer parcerias e desenvolver estratégias de comunicação, são algumas das inúmeras atividades que um relações públicas desempenha dentro de uma instituição do Terceiro Setor. Suas habilidades e conhecimentos contribuem para o desenvolvimento estratégico e operacional de uma ONG. É assim que Maria Gomes, líder administrativa do Instituto Sempre em Movimento, faz uso de sua formação em Relações Públicas para causar impacto social positivo por meio do programa Craques da Rocinha.


Maria Gomes é responsável pela administração do projeto, como boletins escolares, entregas de cestas básicas, atendimento a famílias vulneráveis, além de atuar em escolas para cobrar boletins, rendimento escolar, frequência e desenvolvimento do aluno.


Gecom: O que te motivou a se formar em Relações Públicas e a trabalhar no Terceiro Setor?


Maria Gomes: Gosto de lidar com pessoas e ouvir suas respectivas histórias. Sempre tive interesse em entender como a comunicação pode conectar pessoas, causas e organizações. Por isso, escolhi Relações Públicas — uma área que vai muito além da imagem, e trabalha com diálogo, construção de reputação e engajamento. Ao longo da graduação, percebi que queria usar essa comunicação estratégica não só para empresas, mas para algo que tivesse impacto social. Foi aí que encontrei no Terceiro Setor o meu propósito: aplicar o que aprendi para fortalecer causas em que acredito, especialmente ligadas à educação, mobilizando pessoas e recursos para transformar realidades.


Gecom: Como você passou a fazer parte do Instituto Sempre em Movimento?


Maria Gomes: Em 2020, no auge da pandemia, tivemos uma visita da ONG Instituto Sempre em Movimento. O primeiro momento era para entender o funcionamento do projeto que até então era um projeto comunitário de futebol. A partir daí começamos a trabalhar para melhoria do projeto que hoje somos aprovados na lei do incentivo ao esporte.


O conhecimento em Relações Públicas contribui para o impacto positivo no programa Craques da Rocinha. / Arquivo pessoal

 

Gecom: De que forma a comunicação contribui para os resultados da ONG?


Maria Gomes: A comunicação contribui diretamente para os resultados da ONG ao tornar visível o impacto do nosso trabalho. Ela aproxima a organização do público, fortalece a confiança com parceiros e doadores, e engaja voluntários e beneficiários. No contexto educacional, comunicar bem significa valorizar as histórias dos jovens, mostrar transformações reais e inspirar outras pessoas a se envolverem com a causa.


Gecom: Em sua opinião, quais são os desafios da Comunicação no Terceiro Setor e quais seriam as soluções para resolvê-los?


Maria Gomes: Um dos principais desafios da comunicação no Terceiro Setor é a limitação de recursos — tanto financeiros quanto humanos. Muitas ONGs têm equipes reduzidas ou não possuem profissionais especializados em comunicação, o que dificulta a criação de estratégias consistentes. Além disso, existe o desafio de traduzir o impacto social em mensagens simples e acessíveis, que sensibilizem o público e gerem engajamento. Outro ponto é a concorrência por atenção nas redes sociais, onde diversas causas disputam espaço.


Maria Gomes durante ação social na Rocinha. / Arquivo pessoal

Sobre o Instituto Sempre em Movimento 

É uma organização sem fins lucrativos com sede em São Paulo e Rio de Janeiro que tem como alicerce o fortalecimento e o empoderamento do movimento que gere autonomia para a vida. Atua com um ecossistema pulsante direcionado a promoção da saúde com o objetivo de desenvolvimento sustentável e funcional de pessoas e grupos sociais.

https://sempremovimento.org.br/

 


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sexta-feira, 25 de abril de 2025

Acessibilidade e inclusão no audiovisual: aprenda a fazer com aulas e palestras gratuitas

 


O conteúdo audiovisual é acessível a todos? Os cegos podem ir ao cinema? Os surdos conseguem acompanhar a programação da televisão? As mídias sociais são inclusivas para esse público? Foi pensando nessas questões que foi criado o curso Acessibilidade e Inclusão no Audiovisual, que está com inscrições abertas, com início a partir do dia 08 de maio, na cidade do Rio de Janeiro, e dia 07 de junho, em Niterói.


O curso é organizado em parceria pela Luzidio Produções, da jornalista e produtora audiovisual Thais Ribeiro, e pela Oriri Produções, da antropóloga e coordenadora pedagógica do projeto Bianca Arruda.


“Essa iniciativa surgiu da necessidade de difundir a importância da acessibilidade como uma ferramenta indispensável  na promoção da inclusão. Tornar o conteúdo acessível ajuda também na democratização do acesso e na formação de público”, conta Thais.


O objetivo do curso Acessibilidade e Inclusão no Audiovisual é promover a reflexão e o debate sobre a necessidade de tornar os conteúdos audiovisuais mais acessíveis, bem como ampliar a representação de pessoas com deficiência (PCD) tanto nas telas quanto na produção de seus conteúdos.


“A luta do movimento de pessoas com deficiência garantiu avanços na esfera legal e, paralelamente, houve o desenvolvimento de tecnologias assistivas, mas ainda há muito desconhecimento sobre os caminhos a trilhar para de fato tornar as obras acessíveis e adotar medidas de inclusão”, explica Bianca.


Apesar da crescente importância da inclusão, ainda é comum encontrar produções que não atendam às necessidades de pessoas com deficiência visual, auditiva ou cognitiva. A inclusão se apresenta como uma ferramenta essencial para evitar a exclusão e a discriminação, promovendo a representatividade e a participação de todas as pessoas, sem exceções.


O curso Acessibilidade e Inclusão no Audiovisual discute as melhores formas de garantir que todos possam acessar informações e entretenimento de forma igualitária. Os inscritos podem escolher o melhor local e data para sua realização. O primeiro ciclo de aulas e palestras será realizado no Rio de Janeiro e depois o mesmo conteúdo em Niterói. Cada ciclo terá duração total de 21 horas, na modalidade presencial e ainda contará com transmissão online pelo Instagram (@acessiblidadenoaudiovisual). Ao final do curso os participantes recebem um certificado. O curso Acessibilidade e Inclusão no Audiovisual discute sobre os recursos de acessibilidade, como a Língua Brasileira de Sinais (Libras), o uso de legendas para surdos e ensurdecidos (LSE) e a audiodescrição, além de noções básicas de regulamentos e legislações pertinentes.


Para a jornalista Thais Ribeiro, “esperamos sensibilizar os profissionais do campo audiovisual sobre a importância da acessibilidade, não apenas da acessibilidade comunicacional, mas também pensar sobre acessibilidade arquitetônica e atitudinal, para que as pessoas com deficiência possam se sentir respeitadas e representadas dentro desse universo”.


Sobre a importância do curso, a antropóloga Bianca Arruda complementa: “A importância do curso é justamente contribuir com a disseminação de informações de qualidade, para assegurar o direito  à diversidade e à inclusão, permitindo que mais produtores e produtoras estejam engajadas e engajados em tornar suas obras acessíveis e inclusivas, possibilitando que  pessoas com diferentes necessidades sensoriais ou cognitivas possam usufruir plenamente da cultura e do entretenimento, também como parte da cadeia produtiva, como previsto na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) e na Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.


O curso Acessibilidade e Inclusão no Audiovisual é contemplado pelo Edital “Apoio à Formação e Difusão do Audiovisual – Projetando Saberes”, da Lei Paulo Gustavo, com incentivo do Governo Federal, do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa.


A programação completa do curso e as inscrições estão no link https://bit.ly/pre-incricao_aia



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